A Ilha que não é somente um pedaço de terra

... o GACIM começou a investir mais nas comunidades locais para que estas sintam que este legado patrimonial lhes pertence e as beneficia.

Casa dos Contos, Ilha de Moçambique. Foto: GACIM

A Ilha de Moçambique, classificada como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO desde 1991, foi recentemente exemplo de como um território histórico pode usar o seu potencial para dinamizar as Indústrias Culturais e Criativas (ICC).

Segundo Cláudio Zunguene, coordenador do Gabinete de Conservação da Ilha de Moçambique (GACIM), entidade subordinada ao Ministério da Educação e Cultura, por detrás de tanta riqueza patrimonial existe uma realidade marcada por desafios sociais profundos, como a pobreza.

“Como podemos pedir às pessoas que priorizem a conservação do património quando muitas delas enfrentam dificuldades para garantir a sua alimentação diária?”, questiona, referindo que o GACIM começou a investir mais nas comunidades locais para que estas sintam que este legado patrimonial lhes pertence e as beneficia.

É neste sentido que o GACIM tem procurado estabelecer uma nova forma de actuação, baseada na criação de parcerias com organizações privadas, associações culturais e instituições internacionais.

Assim, desde 2020, a instituição tem conseguido mobilizar diversos financiamentos internacionais destinados à valorização do património e ao fortalecimento das ICC. Zunguene conta que, graças a um fundo do projecto Procultura, por exemplo, foi possível criar na Ilha de Moçambique um novo espaço cultural: a Casa dos Contos.

Cláudio Zunguene foi um dos painelistas do III Fórum Cultural e Criativo, que decorreu recentemente no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), em Maputo. O evento foi promovido pelo Cultiv’Arte, um projecto de fortalecimento do sector cultural em Moçambique.

O seu painel foi moderado pelo jornalista Ouri Pota e contou também com os oradores Osvaldo Faquir e Joaquim Matavele, que abordaram o tema: “Parcerias entre municípios, territórios e sector privado: que oportunidades reais para as ICC?”

(Por Lucas Muaga)