Portugal: a nova realidade de 41 estudantes

Quarenta e um jovens moçambicanos, oriundos de todas as províncias do país, estão prestes a iniciar uma nova etapa académica em Portugal.

Foto: ME

Graças a bolsas de estudo parciais, os estudantes frequentarão, a partir do ano lectivo 2025/2026, cursos de nível médio técnico-profissional em duas instituições de prestígio, nomeadamente as escolas profissionais Agrícola de Carvalhais e de Artes da Covilhã.

A iniciativa surge no quadro da cooperação entre Moçambique e Portugal e abre caminho para a formação em áreas estratégicas como turismo, cozinha, pastelaria, enologia, restaurante e bar, comunicação e marketing, entre outras.

Durante a cerimónia de despedida, em Maputo, o Secretário de Estado do Turismo, Fredson Bacar, destacou a importância da qualificação destes jovens para enfrentar um dos maiores desafios do sector turístico em Moçambique, a escassez de capital humano especializado.

“Apesar do enorme potencial turístico, a falta de profissionais qualificados compromete a competitividade do nosso país como destino”, afirmou Bacar.

O governante recordou que desde 2012 o Instituto Nacional do Turismo (INATUR) tem estabelecido parcerias com entidades estrangeiras para promover formações em turismo e hospitalidade, já tendo atribuído 71 bolsas até ao momento.

A nova vaga de 41 estudantes junta-se a outros que já se encontram em Portugal desde 2023. A expectativa é que a partir de 2026 possam prosseguir para o ensino superior, consolidando um percurso formativo pensado para responder às exigências do sector.

“Não se trata apenas da realização de um sonho individual, mas da confiança que o nosso país deposita em nós. Queremos regressar mais capacitados e contribuir para a modernização do turismo e para o desenvolvimento da economia nacional”, partilharam alguns dos estudantes.

(Por Renaldo Manhice)

Residência reflecte sobre libertação colonial nos PALOP

O objectivo é promover uma releitura crítica da produção cultural e estimular a criação contemporânea a partir dessas memórias.

Foto: Projecto RAC

Arrancou recentemente, em Maputo, uma residência artística que junta 16 jovens artistas emergentes de Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A iniciativa integra o projecto “Resistência e Afirmação Cultural”, que investiga e recria manifestações artísticas ocorridas durante os processos de libertação colonial dos Países de Língua Oficial Portuguesa - PALOP - e de Timor-Leste, assim como nas lutas antifascistas em Portugal. O objectivo é promover uma releitura crítica da produção cultural e estimular a criação contemporânea a partir dessas memórias.

A residência resulta de uma parceria entre a Associação Cultural Scala e a Khuzula. Foram recebidas mais de uma centena de candidaturas dos sete países envolvidos, das quais saíram os 16 artistas participantes.

Durante três semanas, estes criadores vão cruzar linguagens de teatro, música, dança e poesia, culminando num espectáculo final multidisciplinar que reunirá mais de 50 intervenientes, incluindo músicos e técnicos moçambicanos. O resultado será filmado e documentado, passando a integrar a plataforma digital CASA, uma biblioteca virtual das artes performativas dos países do projecto.

Vozes da direcção artística

Para Sol de Carvalho, director-geral da residência e representante da associação Scala, a iniciativa ganha relevância especial no contexto das comemorações dos 50 anos das independências dos PALOP, onde destaca o fim da guerra, mas que as feridas das mesmas sangram no corpo e na história.

“O palco é onde vamos expor essas cicatrizes e, quem sabe, iniciar a sua cura. Esta residência não dá respostas, mas lança pistas, provoca diálogos e, sobretudo, junta ideias”, disse.

Já a produtora artística da residência, a Khuzula, representada por Júlia Novela, destaca a fusão cultural como força motriz desta iniciativa.

“O importante é ter a simbiose, a conexão, a união para criar algo novo. Não importa se é o semba de Angola, a morna de Cabo Verde, o gumbé da Guiné-Bissau, a marrabenta de Moçambique, o puxa de São Tomé e Príncipe, o tebe-tebe de Timor-Leste ou a balada de Portugal. No fundo, é tudo conversa de irmão.”

Enquadramento e apoios

O Resistência e Afirmação Cultural é coordenado pelo Scala (Moçambique) e reúne sete instituições dos países de língua portuguesa. Conta com o apoio do Procultura, acção do programa PALOP–TL e UE, financiada pela União Europeia, co-financiada e gerida pelo Camões, I.P., e pela Fundação Calouste Gulbenkian. O programa dispõe de um orçamento total de 19 milhões de euros e visa criar emprego através da economia cultural e criativa nos PALOP e em Timor-Leste.

O projecto tem ainda apoio estratégico do Ministério da Educação e Cultura de Moçambique, da Rede de Centros Culturais Portugueses nos PALOP e de outros parceiros locais.

Apresentação final

O resultado da residência será partilhado com o público no dia 12 de Setembro, no palco do Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo.

(Por Joana Mawai)

 

Ciclo de Cinema Europeu

Foto: CCFM

O Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), em Maputo, é até 9 de Maio palco do 22.º Ciclo de Cinema Europeu, um evento que convida o público moçambicano a descobrir e partilhar histórias cativantes através da sétima arte. O evento enquadra-se nas celebrações do Dia da Europa,  9 de Maio.

No catálogo estão 11 filmes oriundos da Bélgica, Espanha, França, Irlanda, Itália, Noruega, Portugal, Suécia, Suíça, Ucrânia e da Delegação da União Europeia, que vai trazer uma co-produção. O festival combina ficção, documentários e comédia, abordando temas como superação, educação, ambiente e clima, migração, justiça, direitos humanos, inclusão de pessoas com deficiência e o impacto da guerra.

Na sessão de abertura será exibida a comédia dramática “A Rainha da Comédia”, trazida pela Suécia, que retrata a jornada de uma jovem em luto que decide transformar a dor em humor. O programa inclui também sessões temáticas com debates e momentos de convívio com o público, como o encontro com a cantora franco-angolana Lúcia de Carvalho, protagonista do documentário “Kuzola – A Canção das Origens” (França), e um debate após a exibição do filme belga “Julie Mantém-se em Silêncio”.

O evento é promovido pela Delegação da União Europeia e Embaixadas e Institutos Culturais dos Estados-Membros e não-membros da União Europeia em Moçambique.

(Por MozaVibe)

Na vanguarda da biodiversidade oceânica

Foto. JMR

Investigadores moçambicanos integram a Expedição à Volta de África, uma missão científica internacional que percorre a costa africana para mapear e estudar a biodiversidade dos montes submarinos do Oceano Índico.

Liderada pelas organizações OceanX e OceanQuest, a iniciativa reúne especialistas de países como Moçambique, África do Sul, Madagáscar, Quénia, Tanzânia, Comores, Portugal, Brasil e Arábia Saudita. Visa aprofundar o conhecimento sobre os ecossistemas marinhos e impulsionar esforços de conservação e restauração oceânica.

A bordo do OceanXplorer, um dos mais avançados navios de investigação marinha do mundo, os cientistas utilizam submersíveis de última geração como o Neptune e o Nadir, que atingem profundidades de até 500 metros para recolher amostras biológicas e imagens do fundo do mar. Técnicas inovadoras como a análise de ADN ambiental (eDNA), permitem identificar espécies e compreender melhor a dinâmica dos ecossistemas.

Os montes submarinos, formações geológicas submersas, são considerados hotspots de biodiversidade. Segundo a ecologista bentónica Lara Atkinson, da NRF-SAEON (Rede de Observação Ambiental da África do Sul), essas estruturas influenciam as correntes oceânicas, criam zonas ricas em nutrientes e sustentam uma variedade de vida marinha, desde plâncton e corais até peixes e mamíferos marinhos.

Durante a expedição, os investigadores realizaram levantamentos em locais estratégicos como a Crista de Madagáscar e o Planalto das Agulhas, identificando espécies e documentando a complexidade desses habitats.

Mais do que uma missão de exploração, a Expedição à Volta de África busca fortalecer a investigação marinha nos países africanos. A colaboração com instituições locais visa fomentar o intercâmbio científico e capacitar novas gerações de investigadores. Em Moçambique, os dados recolhidos podem fortalecer programas de monitorização ambiental, apoiar políticas de conservação e consolidar a presença do país na ciência oceânica global.

(Por Renaldo Manhice)

Estudantes moçambicanos inovam em Portugal

Foto: Hackathon AEMOTech

Um grupo de estudantes moçambicanos radicados em Portugal participa de 5 a 6 de Abril, na cidade do Porto, em Portugal, num importante evento de inovação e criatividade denominado Hackathon AEMOTech, que tem como lema “Inovação Para a Empregabilidade”.

A ideia é promover soluções criativas para melhorar a empregabilidade e criar ideias sustentáveis com impacto positivo no mercado de trabalho. A iniciativa é da Associação dos Estudantes Moçambicanos no Porto e Techsolutions, uma companhia nacional do ramo tecnológico e informático.

Durante a cerimónia, os participantes terão de trabalhar em conjunto, estimular a criatividade e desenvolver estratégias para resolver problemas ligados ao emprego, com foco na realidade de Moçambique, mas com soluções aplicáveis também noutros países.

De acordo com a curadoria do evento, as equipas de trabalho, constituídas por três a cinco pessoas, serão orientadas por especialistas nas áreas de marketing, tecnologia, finanças, políticas públicas e empreendedorismo.

A ideia, dizem os organizadores, é que os participantes possam testar as suas capacidades, aprender com os outros e contribuir através de ideias que ajudem a melhorar as condições de trabalho, além de promover o desenvolvimento social e económico em Moçambique e não só.

Para além da competição entre equipas, o evento serve também como uma grande oportunidade de intercâmbio académico e cultural, interração entre estudantes, mentores e líderes de diversas áreas, abrindo assim portas para novas colaborações e parcerias futuras.

O Hackathon AEMOTech é uma celebração do potencial criativo dos estudantes moçambicanos. Mostra como a inovação e o empreendedorismo podem ser essenciais para construir um futuro melhor e mais próspero. 

Poesia de Gibson João vale prémio em Ponte de Sor

Foto: Divulgação


O inédito poesia “Em Vogais”, do poeta moçambicano Gibson João, é um dos vencedores da 17.ª edição do Prémio Literário José Luís Peixoto, atribuído anualmente pelo município de Ponte de Sor, em Portugal.

Com esta conquista, Gibson João leva para casa um valor pecuniário de mil euros (mais de 69 mil meticais). A sua obra será igualmente editada em Portugal e o autor terá direito a 50 exemplares da mesma. O município de Ponte de Sor também se reserva o direito de proceder a peças audio-visuais baseadas nos seus textos.

O Prémio Literário José Luís Peixoto é aberto a escritores lusófonos e foi criado para homenagear o escritor português homónimo, que é natural daquela autarquia. Visa incentivar a criatividade literária entre os jovens, bem como promover o gosto pela escrita, uma actividade essencial para o desenvolvimento intelectual.

Este é o segundo prémio conquistado por Gibson João, que é natural da província de Inhambane. Em 2023 partilhou com Óscar Fanheiro o Prémio Literário Fernando Leite Couto, atribuído pela fundação com o mesmo nome. Conquistou o galardão com “[Da casa]: o seu inclinado murmúrio”, o que lhe permitiu, além do dinheiro, participar numa residência literária de um mês na cidade de Óbidos, em Portugal, onde igualmente integrou o programa do Festival Literário Internacional de Óbidos, Folio 2023.

(Por MozaVibe)