Emoção como ferramenta educacional

‎A académica moçambicana Summeya Gafur acaba de lançar um olhar firme sobre aquilo que, muitas vezes, permanece invisível no processo de ensino: as emoções.

Summeya Gafur. Foto: Kulera

Em “Educar com Emoção – Práticas Pedagógicas com Inteligência Emocional”, a sua mais recente obra, a professora desafia modelos tradicionais e propõe uma educação mais humana, consciente e transformadora. Oferece ferramentas concretas para professores e gestores escolares que lidam diariamente com realidades complexas dentro e fora da sala de aula.

Em quatro pilares, nomeadamente auto-conhecimento, autogestão, empatia e gestão das relações, a obra defende que ensinar não é apenas transmitir conteúdos, mas compreender o aluno como um todo. Cruza ciência e experiência vivida.

Inspirando-se em referências como António Damásio e Daniel Goleman, Gafur traduz teorias da inteligência emocional em práticas adaptadas ao contexto moçambicano, sem perder relevância global.

Entre relatos de professores que enfrentam salas sobrelotadas, escassez de recursos e desafios sociais profundos, emergem estratégias simples e eficazes: ouvir mais, julgar menos, transformar o erro em aprendizagem e criar espaços onde o aluno se sinta seguro para existir e não apenas para responder correctamente.

A autora recusa a ideia de uma educação mecânica e propõe um ensino onde a emoção não é um obstáculo, mas uma aliada. Para ela, a empatia deixa de ser opcional e passa a ser competência central e o professor não é apenas transmissor de saber, mas facilitador de experiências humanas.

(Por Rafael Langa)