Infertilidade: alerta clínico que pede atenção urgente

Parte significativa dos casos de infertilidade está associada a causas preveníveis‎

A infertilidade não deve ser tratada como sentença. Foto: Freepik

A infertilidade continua, em muitos contextos africanos, um tema envolto em silêncio, equívocos e estigmas sociais. No entanto, longe de ser um destino inevitável ou uma condição exclusivamente feminina, trata-se de uma questão de saúde que pode, em muitos casos, ser prevenida.

O alerta é da médica Mayela da Silva, que chama a atenção para factores evitáveis ainda profundamente enraizados no quotidiano, através de um webinar realizado pela Merck Foundation.

‎Num cenário onde práticas culturais, limitações no acesso à saúde e desinformação coexistem, a especialista sublinha que uma parte significativa dos casos de infertilidade está associada a causas preveníveis. Entre elas, destacam-se as infeções sexualmente transmissíveis não tratadas, abortos realizados em condições inseguras e complicações resultantes de práticas como a mutilação genital feminina.

A estes factores somam-se elementos muitas vezes negligenciados, como a exposição contínua a poluentes ambientais, incluindo fumo de cigarro e substâncias tóxicas.

“A infertilidade não é um estigma, é uma condição de saúde que precisa de ser compreendida e tratada com responsabilidade”, defende a médica.

A infecção, explica, surge como um dos principais factores de risco, estando associada a uma percentagem significativamente elevada de casos entre mulheres que procuram cuidados médicos, um número que ultrapassa largamente a média global.

PROBLEMA NÃO SE LIMITA ÀS MULHERES

A infertilidade afecta igualmente homens, embora o debate público continue a centrar-se de forma desproporcional no corpo feminino. Para a especialista, esta abordagem não só distorce a compreensão do problema, como também dificulta soluções eficazes.

‎A prevenção, neste contexto, começa com escolhas simples, mas consistentes. A prática de exercício físico, por exemplo, deve ser equilibrada. “O excesso pode interferir com o ciclo menstrual e comprometer a fertilidade”, explica. Do mesmo modo, a alimentação assume um papel determinante. Manter um peso saudável não é apenas uma questão estética, mas um factor essencial para o equilíbrio hormonal e o bom funcionamento do sistema reprodutivo.

‎‎A má nutrição, por outro lado, pode desencadear alterações no organismo que dificultam a ovulação ou afectam a qualidade dos espermatozoides. Pequenos desequilíbrios podem ter impactos profundos — e, muitas vezes, silenciosos.

‎Num contexto onde o acesso à informação ainda é desigual, a sensibilização surge como uma ferramenta central. Falar abertamente sobre infertilidade, desmontar mitos e promover cuidados preventivos são passos fundamentais para reduzir os números e, sobretudo, aliviar o peso social que ainda recai sobre quem enfrenta esta condição.

‎No fim, a mensagem é clara: a infertilidade não deve ser tratada como sentença, mas como um sinal — um convite à atenção, ao cuidado e à responsabilidade colectiva sobre a saúde reprodutiva.

(Por Rafael Langa)