Vozes contra o feminicídio

Lucrécia Paco e Gigliola Zacara mostraram-se denunciam a violência contra a mulher e mostram-se a favor do combate ao feminicídio por meio da arte e da reflexão social.

Lucrécia Paco e Gigliola. Foto: FFLC

Eram 18h quando a Fundação Fernando Leite Couto abriu as portas, na última quarta-feira de Maio, para acolher Lucrécia Paco e Gigliola Zacara, as estrelas do espetáculo “Vozes Pela Vida”.

O espetáculo multidisciplinar celebra a voz feminina como ferramenta de mudança social, numa performance que incorpora música, poesia, dança e teatro para falar de vida, resistência e esperança.

Iniciou com o intuito de chamar a atenção do público. Para isso, foram apresentados depoimentos de familiares de mulheres vítimas de feminicídio. Os relatos chocantes, e por vezes perturbadores, contados entre lágrimas e vozes trémulas, denunciavam a angústia de quem perdeu um ente querido às mãos de alguém em quem confiavam, como marido ou namorado.

Lucrécia Paco foi a primeira a subir ao palco. Entoou um cântico de protesto, simbolizando a dor que a peça pretendia transmitir por meio da arte.

O seu texto falava sobre um tempo que passou, mas cujas marcas ainda se fazem sentir nos dias actuais.

Segundo Gigliola Zacara, a performance resulta da compilação de vários textos. Assim, ambas mostraram o poder que a arte possui, tanto como instrumento de crítica social quanto de construção da sociedade.

“[…] Pensam que, para dominar uma mulher, basta ter força!” — uma fala que ecoou no espaço como mais um apelo sobre a forma como a mulher continua a ser objectificada e maltratada em diferentes contextos sociais e familiares.

“Uma mulher vazia aceita tudo”. Este recital chama a atenção para a importância de continuar a incentivar a mulher a erguer-se e a empoderar-se.

“Feminicídio não é um impulso” foi outra das frases marcantes da performance, mostrando não apenas a ausência de justificativa para o feminicídio, mas também que este acto pode sempre ser evitado.

Durante quase uma hora, o público ouviu, reflectiu e analisou um tema actual que continua a ganhar manchetes: o feminicídio.

A performance teve a duração de quase uma hora e tinha como principal objectivo consciencializar o público sobre a gravidade da violência contra a mulher e a necessidade de combater o feminicídio por meio da arte e da reflexão social.

(Por Joana Mawai)