Revisitar o passado é essencial para compreender o presente, conforme acontece em “Moçambique, Meu País: o que vi, vivi, senti”, o mais recente livro do economista e académico moçambicano Tomás Salomão.

Tomás Salomão. Foto: CSRES
Segundo a académica Sara Laisse, o livro propõe um exercício de introspecção colectiva, convidando os leitores a revisitar episódios marcantes da história nacional entre 1974 e 1986, ano da tragédia de Mbuzini, na vizinha África do Sul, que culminou com a morte do saudoso Presidente Samora Machel.
O livro percorre memórias, experiências e episódios vividos pelo autor num relato que procura expurgar equívocos e lançar novas perguntas sobre o processo de construção do Estado moçambicano.
Segundo Sara Laisse, Tomás Salomão revela tensões, conquistas e dilemas de um país em permanente transformação. Lembra que o desenvolvimento não se mede apenas por infra-estruturas ou símbolos de progresso material, afinal “não basta construir Cadillacs”, pois o verdadeiro avanço de uma nação deve ser avaliado pelos indicadores de desenvolvimento humano e pelo bem-estar dos cidadãos.
Sara Laisse destaca ainda pequenos “caixilhos” reflexivos, fragmentos que condensam pensamentos, observações e revelações que o autor considera essenciais para compreender a complexidade da sociedade moçambicana.
São passagens que cruzam economia, história e até dimensões mais filosóficas e espirituais, demonstrando que o país não pode ser lido apenas através de números ou eventos políticos. Trata-se de um trabalho de grande valor histórico e pedagógico.
(Por Rafael Langa)

