O objectivo não é apenas transmitir conhecimento, mas também desenvolver competências como empatia, liderança, responsabilidade social e confiança.

O Design for Change é um movimento criado na Índia com uma ideia simples, mas poderosa: ensinar crianças e jovens a perceber que também têm capacidade para resolver os problemas à sua volta.
Presente em dezenas de países, o programa já envolve milhões de estudantes em projectos ligados à cidadania, inclusão social, ambiente e desenvolvimento comunitário. A iniciativa incentiva-os a observar a realidade, pensar em soluções e agir para produzir mudanças.
O movimento foi criado pela educadora indiana Kiran Bir Sethi, que questionava um modelo de ensino muitas vezes mais preocupado com respostas padronizadas do que com criatividade e pensamento crítico. Dessa reflexão nasceu uma metodologia que hoje é considerada uma das mais inovadoras na área da educação.
A abordagem segue uma estrutura conhecida como FIDS — “Feel, Imagine, Do, Share” (Sentir, Imaginar, Fazer e Partilhar). Primeiro, os estudantes identificam um problema na escola, no bairro ou na comunidade. Depois, imaginam soluções, colocam-nas em prática e partilham os resultados alcançados. O objectivo não é apenas transmitir conhecimento, mas também desenvolver competências como empatia, liderança, responsabilidade social e confiança.
É precisamente esta componente prática que tem chamado a atenção de educadores em diferentes partes do mundo. Em vários países, crianças envolvidas no projecto criaram iniciativas para melhorar espaços públicos, apoiar colegas em situação de vulnerabilidade, promover hábitos de higiene, incentivar a reciclagem e resolver problemas do quotidiano escolar.
No centro de tudo está a filosofia do “I Can” — “Eu Posso”, segundo a qual as crianças não devem crescer a acreditar que apenas os adultos têm capacidade para decidir, criar ou transformar a sociedade. Elas também podem participar activamente na construção do presente e futuro.
(Por Rafael Langa)

