Esménia Cuna: cancro não é sinónimo de morte

Nesta conversa inspiradora, conduzida por Tanuja Viriato, a fundadora da MozaVibe, Cuna falou do sentimento de medo e desespero que se apossa das pessoas com cancro, devido à ideia segundo a qual este pode ser o fim das suas vidas.

Foto: Yassin Mussá

Esménia Cuna é uma sobrevivente. Conseguiu vencer uma longa e dura batalha contra o cancro da mama, numa história de superação e resiliência que acabou por encarando como um recado divino.

Com esta experiência, Esménia Cuna entendeu que deveria concentrar os seus esforços no combate ao cancro, ajudando outras mulheres que enfrentam a mesma doença. Assim, sempre que pode, dá palestras e faz acompanhamentos. Além disso, está prestes a oficializar uma associação dedicada à luta contra o cancro.

“A agremiação estará activa no próximo ano, porque agora é importante ter um grupo, rede (...). Queremos ajudar muitas pessoas: homens, mulheres e crianças”, explicou, numa entrevista concedida à revista MozaVibe.

Nesta conversa inspiradora, conduzida por Tanuja Viriato, a fundadora da MozaVibe, Cuna falou do sentimento de medo e desespero que se apossa das pessoas com cancro, devido à ideia segundo a qual este pode ser o fim das suas vidas.

“É importante desconstruir a relação entre cancro e morte. Acreditar em si e ser resiliente. É importante não ter vergonha do estado físico porque é natural”, afirmou.

Acompanhe a entrevista completa no Youtube da revista MozaVibe.

 

"Gosto de Ler": livro como um direito e não privilégio

A proposta é clara: democratizar o acesso aos livros desta colecção, fortalecer o hábito da leitura desde cedo, bem como promover a inclusão cultural e contribui para a formação de leitores e pensadores. Ler, defende, não pode ser privilégio, mas um direito.

Foto: Eduardo Quive

O livro é ainda uma raridade e luxo nalgumas regiões do país. É que se muitas bibliotecas andam quase vazias, as livrarias são tão escassas que se podem contar a dedo. São necessárias, por isso, iniciativas de promoção e incentivo à leitura, sobretudo nos mais novos.

Este é o caso do projecto “Gosto de Ler”, que pretende tornar os livros mais acessíveis e aproximar a literatura às comunidades. A iniciativa foi lançada esta semana pela Fundação Fernando Leite Couto, em parceria com o Standard Bank Moçambique.

No centro do projecto está a colecção literária “Gosto de Ler”, composta por obras de cinco autores consagrados da literatura moçambicana, nomeadamente Albino Magaia, Mia Couto, João Borges, Paulina Chiziane e Lília Momplé.
No âmbito desta iniciativa, 25 mil exemplares impressos serão distribuídos gratuitamente por escolas, bibliotecas, associações culturais e comunidades em todo o país.

Para Mia Couto, escritor e presidente da Fundação Fernando Leite Couto, esta colecção marca mais do que a publicação de livros, representa um passo concreto na criação de oportunidades para que mais moçambicanos, especialmente os jovens, possam crescer com o hábito de leitura.

“Queremos que estes livros cheguem a todo o país”, afirmou, destacando que a missão da Fundação é justamente apoiar leitores, dar espaço a novos escritores e manter viva a profissão literária em Moçambique.

“A leitura tem um papel essencial no desenvolvimento pessoal e social. É o que estamos a promover”, disse.

Já Esselina Macome, PCA do Standard Bank Moçambique, reforçou o compromisso da instituição com o impacto social do projecto. Para ela, a leitura vai além do prazer, é uma base essencial para o desenvolvimento educacional, profissional e cívico.

“Se não soubermos ler, não conseguiremos compreender o que o país precisa, o que se discute, o que se propõe. E só se aprende a ler, lendo. É por isso que o Standard Bank se junta com orgulho a esta causa. Queremos contribuir para a formação de crianças, adolescentes e jovens que possam participar activamente no crescimento do país”, afirmou.

A proposta é clara: democratizar o acesso aos livros desta colecção, fortalecer o hábito da leitura desde cedo, bem como promover a inclusão cultural e contribui para a formação de leitores e pensadores. Ler, defende, não pode ser privilégio, mas um direito.

Durante a conferência, os escritores seleccionados mostraram-se profundamente honrados e entusiasmados por fazer parte deste projecto, reconhecendo o seu potencial para inspirar e motivar as novas gerações de leitores e escritores.

(Por Renaldo Luís)

Mortalidade Infantil continua elevada

O fenómeno mantém-se elevado, sobretudo nas zonas rurais.

Foto: Freepik

A taxa de mortalidade infantil continua elevada no país, devido a uma combinação de factores estruturais, sociais e económicos.

Dados do sector da saúde indicam que, graças à cooperação entre Moçambique e outros países, bem como aos investimentos estruturais do Governo, a taxa de mortalidade infantil reduziu de 201 para 60 por mil nados vivos entre 1997 e 2022.

Apesar desta redução significativa, o fenómeno mantém-se elevado, sobretudo nas zonas rurais.

De acordo com os dados oficiais, divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde (INS), pelo menos 60 em cada mil crianças morrem antes de completarem cinco anos de idade. Assim, o INS estima que, actualmente, quase cinco milhões de crianças ainda morrem antes de alcançar os cinco anos em todo o país, com maior incidência na província de Cabo Delgado.

O sector da saúde considera estes números preocupantes e aponta como causas mais comuns, na sua maioria evitáveis, a malária, diarreias, pneumonias, má nutrição, sepsia e complicações obstétricas, entre outras.

Apesar deste cenário, as autoridades governamentais reconhecem que o país tem dado passos notáveis na transformação da realidade, destacando os investimentos estratégicos na saúde materno-infantil.

“No plano global, as Nações Unidas confirmam uma redução de 51 por cento no mesmo período”, afirmou o Presidente da República, na sua intervenção durante a abertura do Fórum Global sobre Inovação e Acção para a Imunização e Sobrevivência Infantil 2025.

“O nosso Governo considera a vacinação infantil uma das ações mais impactantes na luta contra a mortalidade infantil”, acrescentou.

Importa destacar que esta foi a primeira vez que o referido Fórum Global se realiza em África, facto que prestigia Moçambique.

Apesar dos avanços registados, especialistas alertam para a necessidade de medidas urgentes e coordenadas para garantir o direito à vida e à saúde das crianças moçambicanas, assim como o acesso gratuito a serviços de saúde, água potável e saneamento básico.

Como forma de reduzir os níveis de mortalidade infantil e materna, o país promoveu o Fórum Global do Setor da Saúde, organizado por Moçambique, Serra Leoa, Espanha e diversas organizações internacionais, como a Fundação Bill & Melinda Gates, a Fundação La Caixa e a UNICEF.

Neste evento, priorizou-se a discussão sobre os mais recentes avanços científicos na área da sobrevivência infantil, bem como o reforço do compromisso político global e da comunidade internacional.

(Por Joana Mawai)