Moçambique iniciou a implementação de acções antecipadas com foco na seca, mas a crescente ocorrência de ciclones e cheias levou à adopção de uma abordagem mais abrangente, centrada num modelo multi-risco.

Moçambique e Tanzânia reforçam cooperação na gestão do risco de desastres, com especial atenção à expansão das acções antecipadas para fazer face aos eventos climáticos extremos.
Segundo Gabriel Monteiro, vice-presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), que falava recentemente num intercâmbio técnico entre as delegações dos dois países, a resposta antecipada permite reduzir significativamente perdas humanas e materiais antes das calamidades.
Para Monteiro, agir antecipadamente deixou de ser apenas inovação. Hoje é uma ferramenta estratégica para salvar vidas, proteger infra-estruturas e garantir maior dignidade às populações.
Moçambique iniciou a implementação de acções antecipadas com foco na seca, mas a crescente ocorrência de ciclones e cheias levou à adopção de uma abordagem mais abrangente, centrada num modelo multi-risco. Segundo o dirigente, esta adaptação permitiu incluir diferentes tipos de eventos climáticos nos planos de resposta.
“Anteriormente, tínhamos acções antecipadas apenas para situações de seca. Hoje fomos obrigados a alargar os planos para incluir cheias e ciclones, e os resultados são encorajadores”, explicou.
A activação de planos distritais em várias regiões do país tem contribuído para reforçar a capacidade de resposta e reduzir o impacto sobre as comunidades mais vulneráveis, sobretudo em períodos críticos.
Apesar dos progressos alcançados, o responsável alertou para as projecções climáticas que indicam a possibilidade de fenómenos ainda mais intensos nas próximas épocas chuvosas, o que exige maior preparação e investimento contínuo.
Do lado tanzaniano, o secretário permanente do gabinete do primeiro-ministro, Jim James Yonazi, destacou Moçambique como uma referência regional na implementação de acções antecipadas, sublinhando a importância da partilha de experiências entre os dois países.
“A cooperação entre os nossos países permite fortalecer soluções africanas para responder aos desafios das mudanças climáticas e proteger as populações mais vulneráveis”, afirmou.
(Por Renaldo Manhice)

