Moçambique e Brasil reforçam cooperação agro-florestal

A iniciativa surge como uma resposta conjunta aos desafios da degradação florestal e da vulnerabilidade climática na região, apostando em soluções que valorizam o conhecimento científico aliado às necessidades das comunidades locais.

Foto: UEM

Num contexto em que a degradação ambiental e os impactos das mudanças climáticas exigem respostas cada vez mais integradas, a cooperação internacional volta a assumir um papel central na construção de soluções sustentáveis e adaptadas às realidades locais. Em Moçambique, onde comunidades rurais dependem directamente dos recursos naturais para a sua sobrevivência, iniciativas de gestão ambiental e segurança alimentar tornam-se estratégicas para o futuro.

É neste enquadramento que Moçambique e Brasil reforçam a sua parceria com a implementação do Centro Agro-florestal de Mabalane (Cefloma II), na província de Gaza, um projecto que combina preservação ambiental, investigação científica e promoção da segurança alimentar.

A iniciativa surge como uma resposta conjunta aos desafios da degradação florestal e da vulnerabilidade climática na região, apostando em soluções que valorizam o conhecimento científico aliado às necessidades das comunidades locais.

Para os intervenientes, o projecto representa mais do que uma intervenção institucional, sendo visto como uma abordagem prática de adaptação climática baseada no território e nas populações.

O acordo foi formalizado através de um memorando de entendimento entre o embaixador do Brasil em Moçambique, Ademar Seabra da Cruz, a ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, e o reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Manuel Guilherme, consolidando a cooperação entre instituições governamentais e académicas dos dois países.

A coordenação do projecto ficará a cargo da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), enquanto a execução técnica será assegurada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), através do Departamento de Ciências Florestais. Do lado moçambicano, a coordenação das actividades será liderada pelo Ministério da Educação e Cultura, em articulação com a UEM.

Entre os principais eixos de intervenção destaca-se a redução do desmatamento e da degradação florestal em Mabalane, através da promoção de práticas sustentáveis de gestão dos recursos naturais e da recuperação de áreas ambientalmente degradadas.

O projecto integra ainda uma forte componente de investigação científica, com especial atenção à lagarta-mopane (Gonimbrasia belina), alimento tradicional e importante fonte de proteína para várias comunidades. Os estudos incluem técnicas de criação controlada em laboratório, com o objectivo de reforçar a segurança alimentar e reduzir a pressão sobre os recursos naturais.

A primeira fase do Cefloma II terá duração de três anos e prevê a criação de infra-estruturas de apoio à investigação e formação, incluindo laboratórios, viveiros florestais, alojamentos e espaços administrativos, bem como a introdução de espécies florestais de rápido crescimento como alternativa sustentável.

Para os promotores, a iniciativa reforça a importância de estratégias ambientais adaptadas às realidades locais, onde ciência, comunidades e instituições trabalham de forma articulada na construção de soluções de resiliência.

Além da componente ambiental e científica, o projecto simboliza o fortalecimento das relações académicas entre Moçambique e Brasil, promovendo o intercâmbio de conhecimento, a formação de estudantes e a colaboração entre investigadores dos dois países.

Nos próximos meses, está prevista uma missão oficial brasileira a Moçambique para o lançamento da primeira pedra do projecto em Mabalane, marcando o início de uma nova fase de cooperação focada na sustentabilidade, na ciência e na resposta aos desafios climáticos.

(Por Renaldo Manhice)