A sempre necessária mão humana no jornalismo

... embora ferramentas digitais e sistemas automatizados permitam recolher, tratar e difundir informação com rapidez sem precedentes, é importante manter o controlo humano sobre os mesmos processos

João Canavilhas. Foto: UEM

O espaço mediático é cada vez mais dominado pela tecnologia e pela automação, razão pela qual cresce o debate sobre o papel da Inteligência Artificial (IA) em várias áreas, incluindo o jornalismo.

Foi nesse contexto que o investigador João Canavilhas proferiu recentemente, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane (ECA-UEM), em Maputo, uma palestra sobre os desafios e limitações das novas tecnologias na produção de conteúdos jornalísticos.

Durante o evento, intitulado “Jornalismo e Inteligência Artificial”, o pesquisador defendeu que embora ferramentas digitais e sistemas automatizados permitam recolher, tratar e difundir informação com rapidez sem precedentes, é importante manter o controlo humano sobre os mesmos processos.

Segundo João Canavilhas, as informações obtidas por meios tecnológicos não devem ser utilizados de forma autónoma e acrítica.

“Os dados recolhidos e processados por meios tecnológicos devem ser sempre monitorados por humanos. Um dos princípios do jornalismo é a protecção das fontes, e os programadores informáticos não estão, necessariamente, vinculados a códigos deontológicos que garantam esse princípio”, afirmou.

A declaração reforça preocupações crescentes sobre ética, transparência e responsabilidade no uso de inteligência artificial e algoritmos na produção de notícias.

Para Canavilhas, a IA é útil sempre exige uma mão humana, pois apresenta sempre limitações como o uso recorrente de linguagens e estruturas repetitivas, bem como dificuldades de adaptação a determinados contextos temáticos. Ou seja, não se pode substituir o lado humano do jornalista.

(Por MozaVibe)