Pesquisa denuncia excesso de prescrição de antibióticos

Segundo a pesquisa, as classes das penicilinas e sulfonamida foram os antibióticos mais prescritos, com cerca de 65 por cento, muito acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda 20 a 26 por cento.

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Há uma frequência relativamente alta da prescrição de antibióticos no país, com maior incidência para as infecções do trato respiratório, denuncia a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), citando uma tese de doutoramento.

O tratamento, intitulado “Implementação de um algoritmo de tratamento de infecções respiratórias agudas em pacientes adultos HIV positivos nos Cuidados de Saúde Primários das Cidades de Maputo e Matola”, de Cândido Faiela, foi recentemente apresentado para a obtenção do grau de Doutor em Biociências e Saúde Pública, na Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

Segundo a pesquisa, as classes das penicilinas e sulfonamida foram os antibióticos mais prescritos, com cerca de 65 por cento, muito acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda 20 a 26 por cento.

Do trabalho realizado em unidades sanitárias de Maputo e Matola, constatou que, 34 por cento das prescrições médicas não tinham nenhum tipo de antibiótico. Entretanto, 48.2 por cento das prescrições analisadas pela pesquisa continham pelo menos 1 antibiótico; 12 por cento com 2 tipos de antibióticos na mesma prescrição; 3.3 por cento com 3 antibióticos; e 2.4 por cento das prescrições médicas chegaram a ter até 4 antibióticos na mesma prescrição.

O investigador afirmou que os antibióticos são amplamente prescritos em excesso para tratar infecções de trato respiratório, apesar de fortes evidências da sua origem viral. Fez saber que 90 por cento dessas infecções se dissolvem sem complicações para o paciente, tornando o tratamento com antibióticos desnecessário e não recomendado.

A pesquisa foi realizada em 31 unidades sanitárias de 10 postos administrativos das cidades de Maputo e Matola. Conclui que a falta de ferramentas de suporte aos clínicos no tratamento de infecções respiratórias e as limitações das capacidades laboratoriais justificam a utilização de um algoritmo para mediar as consultas, tendo a pesquisa recomendado que o algoritmo deve ser implementado com a supervisão dos provedores de saúde e uma auditoria na prescrição de antibióticos.

(Por MozaVibe)