O avanço tecnológico trouxe vários desafios para a humanidade. Um deles é uma nova forma de agressão que afecta milhões de pessoas em todo o mundo, a violência digital.

O termo violência digital refere-se a diversas formas de assédio, degradação,discriminação ou isolamento social na internet ou por meios eletrónicos de comunicação. É um dos assuntos levantados recentemente em Maputo, no âmbito da
campanha global dos 16 Dias de Activismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres e Raparigas.
A iniciativa anual decorre desde 25 de Novembro e prolonga-se até 10 de Dezembro. Procura mobilizar pessoas, instituições e governos para combater todas as formas de Violência Baseada no Género (VBG).
O período escolhido congrega datas de grande simbolismo para os direitos humanos e a protecção das mulheres, nomeadamente os dias internacionais pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres (25 de Novembro); de Luta Contra o HIV/SIDA (1 de Dezembro); e dos Direitos Humanos (10 de Dezembro).
Segundo a activista Josina Machel, chama atenção para o aumento de casos de violência digital, que considera uma das formas mais devastadoras de agressão contra mulheres e raparigas. A activista destacou que muitas jovens são expostas,
extorquidas e abusadas nas plataformas digitais, com consequências permanentes.
“O que temos visto nas redes sociais vai muito além de pequenas agressões. São actos que destroem vidas e que deixam marcas eternas”, afirmou.
Durante o lançamento oficial dos 16 Dias de Activismo, em Maputo, Josina Machel defendeu que a consciencialização e o combate à violência baseada no género devem acontecer ao longo de todo o ano.
“Os 16 dias têm de ser 365, porque testemunhamos e vivenciamos casos em que mulheres são agredidas fisicamente, sexualmente e emocionalmente todos os dias”, disse, alertando que ainda faltam dados estatísticos completos sobre a violência e pedindo responsabilidade colectiva para enfrentar esta “crise nacional”.
A preocupação com o agravamento da VBG é também partilhada pelo Observatório de Feminicídio em Moçambique. A coordenadora da organização, Lúcia Honga, destaca que a província de Sofala, especialmente a cidade da Beira, tem registado um aumento alarmante de casos de assassinatos de mulheres.
Honga explica que se trata de feminicídios, mortes motivadas pelo género das vítimas e alerta para a escalada contínua destes crimes. A organização está a trabalhar na criação de mecanismos de prevenção e intervenção, numa tentativa de travar um fenómeno que se intensifica a cada dia.
A campanha destaca a importância de fortalecer os mecanismos de denúncia, atendimento e acompanhamento das vítimas, reforçar a responsabilização dos agressores e intensificar as acções de prevenção através da educação e do
empoderamento das comunidades.
Só na Cidade de Maputo, entre Janeiro e Novembro deste ano, 421 mulheres e raparigas foram vítimas de violência baseada no género e receberam assistência, um número que evidencia a urgência de respostas mais eficazes e coordenadas.
(Por Joana Mawai)

