As mudanças climáticas deixaram de ser apenas uma questão ambiental e revelam-se hoje como um dos maiores factores de pressão psicológica.

A incerteza quanto ao futuro, a exposição a desastres naturais recorrentes e o impacto socioeconómico que estes acarretam produzem uma realidade complexa, onde a saúde mental se encontra no centro das vulnerabilidades.
O país foi frequentemente afectado por ciclones, cheias e secas, e este debate ganha especial urgência, sobretudo entre os jovens que vêem o seu futuro ameaçado por forças que transcendem o controlo individual.
Longe de se restringir a uma troca de opiniões, vários jovens apresentaram propostas práticas e inovadoras para lidar com os impactos psicológicos das mudanças climáticas.
Entre elas, destacam-se a criação de redes de apoio entre pares e a formação de psicólogos comunitários para situações de crise, reforçando a necessidade de espaços onde os jovens possam conversar com profissionais qualificados.
Embora o apoio de amigos seja valioso, ele não substitui a orientação de um psicólogo, cujo acompanhamento permite lidar com traumas, ansiedade e estresse de forma estruturada e eficaz.
Outras iniciativas incluíram o fortalecimento do diálogo entre, escolas e organizações juvenis, a implementação de clubes de resiliência climática nas escolas, aplicativos de suporte psicológico e programas de mentoria entre estudantes.
Essas propostas evidenciam que a juventude moçambicana não enfrenta apenas os impactos ambientais das mudanças climáticas, mas também uma carga psicológica profunda, cujos efeitos podem se prolongar por toda a vida adulta. Demonstram ainda que os jovens estão não apenas conscientes dos riscos, mas também dispostos a transformar a preocupação em acção.
A construção de redes de apoio, a capacitação de profissionais locais e a educação para o clima surgem como caminhos estratégicos para enfrentar os desafios emocionais impostos pelo ambiente.
Estas são algumas linhas de um webinar promovido recentemente pela Youth Climate Action Coalition – Mozambique.
(Por Rafael Langa)

