Estudo revela desconhecimento sobre malária

Apesar de o Sul de Moçambique ser considerado uma região de baixa prevalência de malária, um inquérito recente realizado pelo Instituto Nacional de Saúde (INS) revela fragilidades significativas na prevenção, diagnóstico e conhecimento sobre a doença, sobretudo entre mulheres em idade reprodutiva e crianças menores de cinco anos.

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A pesquisa, que decorreu entre Novembro de 2023 e Maio de 2024, abrangeu as províncias de Maputo e Gaza, coincidindo com o período de maior transmissão da malária.

Foram aplicadas metodologias como testes rápidos, medição de hemoglobina em crianças e recolha de amostras de sangue para análises laboratoriais.

O estudo foi conduzido pelo INS em colaboração com o Programa Nacional de Controlo da Malária e contou com o financiamento do Governo e do Fundo Global.

Os resultados do inquérito revelam indicadores preocupantes. A prevalência geral de malária na região sul é de 4,3%, sendo que Gaza apresenta o nível mais elevado, com 7%, seguida pela Província de Maputo, com 1,7%, e pela Cidade de Maputo, com 1,2%.

Embora as taxas sejam relativamente baixas, os indicadores de prevenção e tratamento estão muito aquém do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com o INS, esperava-se que todos os agregados familiares tivessem pelo menos uma rede mosquiteira para duas pessoas, mas os resultados mostram que esse número é bastante inferior ao ideal.

Outro dado preocupante refere-se à testagem de crianças com febre nas unidades sanitárias. Todas as crianças febris que chegam aos serviços de saúde deveriam ser testadas para malária, no entanto, a prática mostra que muitas não são testadas.

O tratamento preventivo em grávidas também apresenta fraca cobertura. O protocolo recomenda que as gestantes recebam pelo menos três doses de tratamento preventivo intermitente, mas os dados mostram que poucas completam o ciclo, o que aumenta o risco de complicações durante a gravidez.

O estudo avaliou ainda o nível de conhecimento das mulheres sobre a malária, incluindo aspectos relacionados com a transmissão, prevenção e tratamento. Verificou-se que quanto maior o nível de escolaridade, maior é a probabilidade de acesso a informações correctas sobre a doença. No entanto, mesmo entre as mulheres com mais estudos, o conhecimento continua abaixo do desejado.

A televisão foi identificada como a principal fonte de informação, enquanto outros meios, como rádios comunitárias, unidades sanitárias e campanhas presenciais, têm pouca expressão.

(Por Joana Mawai)