Dondzalândia: a terra da aprendizagem

Num cenário em que os índices de literacia ainda representam um dos grandes desafios nacionais, sobretudo nas zonas rurais, Moçambique começa a assistir ao florescimento de soluções criativas que procuram democratizar o acesso à educação.

Foto: Dondzalândia

Entre as inciativas, destaca-se a Dondzalândia, uma plataforma concebida como um verdadeiro ecossistema de aprendizagem, que alia inovação tecnológica, identidade cultural e inclusão social.

O nome não é apenas simbólico: "dondza", em xichangana, significa aprender ou estudar, enquanto o sufixo “lândia” evoca a ideia de um território vasto e envolvente. Juntos, formam a expressão “A Terra da Aprendizagem”, um espaço que ultrapassa a noção de sala de aula e se apresenta como universo aberto para a construção de conhecimento.

À frente desta revolução está Laércio Mondlane, criador do Dondzalândia, este avança que a originalidade do Dondzalândia está em olhar para as zonas rurais, onde vive a maioria da população e onde as barreiras educativas se tornam mais evidentes. Nesses territórios, escolas carentes de recursos, falta de professores especializados e ausência de materiais didácticos modernos criam um ciclo de exclusão.

É precisamente aí que a plataforma procura intervir, com soluções digitais que vão desde conteúdos gamificados até recursos audiovisuais, concebidos para despertar o interesse e garantir aprendizagem contínua.
Para Laércio Mondlane, a ideia central é simples mas revolucionária: “transformar a zona rural em terra de estudo e inovação”.

Para tal, o projecto aposta na criação da primeira escola digital rural em Moçambique, concebida para integrar tecnologias, promover inclusão e preparar crianças e jovens para um futuro onde a literacia digital será imprescindível.

Actualmente, a iniciativa alcança mais de 156 raparigas, 188 rapazes e conta com 8 formadores capacitados, que actuam directamente nas comunidades. O impacto vai além do acesso ao conhecimento: promove inclusão social, empodera jovens e abre novas perspectivas de futuro para aqueles que, de outra forma, estariam à margem da revolução digital.
Um dos programas estruturantes é o TAPI – Tecnologias Assistidas para a Promoção da Inclusão.

Segundo Laércio Mondlane, este identifica necessidades educativas especiais que limitam a participação plena de alunos e, a partir daí, desenvolve ferramentas adaptadas.

Actualmente, estão em desenvolvimento soluções específicas para pessoas com deficiência auditiva, com recurso a telas interactivas e tradução em língua de sinais. Com a TAPI o Dondzalândia pretende romper com a segregação escolar que ainda marca a vida de muitos estudantes com deficiência, oferecendo instrumentos que lhes permitem acompanhar o mesmo currículo que os colegas.

O recurso a metodologias inovadoras como jogos educativos, vídeos interactivos e plataformas digitais acessíveis procura envolver as crianças no processo de aprendizagem, tornando-o mais dinâmico e eficaz. Mais do que transmitir conteúdos, o objectivo é formar cidadãos críticos, capazes de se adaptar a uma sociedade em rápida transformação tecnológica.

O projecto Dondzalândia ainda está em fase de expansão, mas já se afirma como um marco no imaginário educativo moçambicano, num país onde a juventude representa a maioria da população, iniciativas como esta têm potencial transformador.

Através da Dondzalândia, as zonas rurais deixam de ser vistas como espaços de ausência e passam a ser reconhecidas como territórios de aprendizagem e inovação.

Mais detalhes no vídeo abaixo:

https://youtu.be/XsTh2sQzp8g?si=ygycOX_lsIjh-h-R

(Por Rafael Langa)