OMS contra obesidade: mal afecta um bilhão de pessoas no mundo


A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, em projecto de directrizes divulgado recentemente, que passará a recomendar o uso de medicamentos para o tratamento da obesidade em adultos.

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A obesidade afecta mais de um bilhão de pessoas no mundo. Por isso, a decisão marca uma viragem na forma como a comunidade global encara a doença, reconhecendo-a não apenas como resultado de hábitos individuais, mas como uma condição crónica, progressiva e multifactorial que exige resposta clínica estruturada.

O parecer da agência das Nações Unidas foca-se nos fármacos análogos do GLP-1, originalmente concebidos para tratar a diabetes tipo 2 e que, mais recentemente, têm demonstrado eficácia na redução de peso. Segundo o comité de especialistas da OMS, estes medicamentos devem ser administrados a pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, sempre acompanhados de aconselhamento sobre estilo de vida e comportamento.

A doença ssocia-se a doenças cardiovasculares, diabetes, alguns tipos de cancro e distúrbios metabólicos graves. Para a OMS, o grande desafio está no facto de as políticas públicas ainda serem moldadas por visões ultrapassadas, que interpretam a obesidade apenas como reflexo de escolhas pessoais. O novo enquadramento, ao contrário, destaca a influência de determinantes sociais, económicos e ambientais, e reforça a necessidade de abordagens sistémicas.

Apesar do avanço, os medicamentos não foram incluídos na Lista de Medicamentos Essenciais da OMS, documento que define quais devem estar disponíveis em todos os sistemas de saúde.  A organização reconhece a eficácia dos tratamentos, mas sublinha que os elevados custos criam barreiras significativas, sobretudo em países de baixo e médio rendimento, onde o acesso a terapias modernas permanece limitado.

Em alguns países de rendimento elevado, como os Estados Unidos, a prescrição destes fármacos já foi alargada a pessoas com IMC entre 27 e 30, desde que apresentem doenças associadas ao excesso de peso. A OMS, contudo, recomenda critérios mais restritos até que haja garantias de acesso equitativo.

O debate agora aberto inscreve-se num esforço global para redefinir a forma como se encara a obesidade não como falha individual, mas como desafio de saúde pública que requer soluções médicas, políticas e sociais integradas.

(Por Rafael Langa)