Em tempos em que as alterações climáticas desafiam a sobrevivência das comunidades, Moçambique dá um passo firme rumo à transformação, colocando as novas gerações no centro da acção climática.

A terceira edição da Conferência Local da Juventude sobre Mudanças Climáticas (LCOY3) tornou-se um marco na mobilização juvenil, mostrando que as soluções para o futuro do planeta passam, inevitavelmente, pelas mãos de crianças e jovens engajados.
Durante o encontro, realizado em Maputo, participantes de todas as províncias reuniram-se para debater, propor e liderar acções que visam reduzir o impacto das mudanças climáticas. Oficinas, debates e exposições revelaram uma juventude consciente, criativa e determinada a mudar o rumo da história ambiental do país.
“Hoje, a juventude moçambicana não é apenas espectadora, mas protagonista da acção climática. A LCOY3 é um espaço onde o conhecimento se transforma em compromisso e onde nascem líderes que inspiram o continente”, afirmou Marques Erneste, jovem embaixador climático e orador do evento.
A conferência contou com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da BIOFUND, da ONU Clima (UNFCCC) e de várias organizações da sociedade civil, fortalecendo o elo entre a juventude e as instituições responsáveis pela governança climática.
Com a realização da LCOY3, Moçambique integra a rede global de conferências juvenis reconhecidas pela Conference of Youth (COY), iniciativa que antecede a Conferência das Partes (COP) das Nações Unidas.
Esta ligação garante que as vozes dos jovens moçambicanos ecoem em plataformas internacionais, levando experiências locais a discussões globais.
Para Felicidade da Juliana Chicico, moderadora de um dos painéis, a energia e o compromisso demonstrados pelos participantes são um sinal de esperança.
“Ver crianças e jovens a discutir políticas públicas e soluções baseadas na natureza é um testemunho de que o futuro sustentável começa agora”.
Projectos apresentados incluíram planos de reflorestamento em áreas afectadas por desmatamento, uso de tecnologias sustentáveis em escolas, iniciativas de reciclagem e programas de sensibilização comunitária. Cada proposta reforçou a ideia de que enfrentar a crise climática requer acção local, visão global e cooperação intergeracional.
Ao fim de três dias de debates, os jovens redigiram a Declaração da Juventude Moçambicana sobre o Clima, documento que será apresentado na próxima COP, reafirmando o compromisso do país em construir um futuro resiliente e inclusivo.
(Por Renaldo Manhice)

