Em todo o mundo, milhões de meninas continuam a enfrentar desigualdades, violência e limitações impostas por normas patriarcais. Como resultado, muitas delas vêem-se impedidas de sonhar e construir um futuro promissor.

Em Moçambique, essa realidade manifesta-se, sobretudo, na prevalência das uniões prematuras e das gravidezes precoces, fenómenos que continuam a ameaçar o futuro de milhares de raparigas.
O 11 de Outubro, Dia Internacional da Rapariga, foi instituído pelas Nações Unidas para reconhecer os direitos das meninas e os desafios únicos que enfrentam. Desde a adopção da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim, há quase 25 anos, têm-se registado progressos notáveis: cada vez mais raparigas frequentam e concluem a escola, adquirem competências profissionais e conquistam o direito de decidir sobre as suas próprias vidas.
Contudo, a realidade ainda é marcada por profundas desigualdades. Normas de género prejudiciais continuam a ditar o destino de milhões de meninas. Além disso, as desigualdades tecnológicas também têm impacto significativo, sendo que cerca de 90 por cento das raparigas em países de baixos rendimentos não utilizam a Internet, enquanto os rapazes da mesma faixa etária têm o dobro das probabilidades de estarem online.
Em Moçambique, as uniões prematuras e as gravidezes precoces permanecem entre as principais barreiras ao desenvolvimento das raparigas, com maior incidência nas províncias do norte do país. Diversas práticas tradicionais continuam a ser apontadas como causas estruturais desse fenómeno.
Para travar o problema, diversas Organizações Não Governamentais (ONG) têm desenvolvido ações de sensibilização e disseminação de informação junto das comunidades, promovendo o diálogo e o empoderamento feminino desde cedo.
Uma das estratégias mais eficazes para combater esta realidade é reforçar a educação das raparigas e incentivar o envolvimento ativo das famílias e comunidades na luta contra práticas que comprometem o futuro das meninas. É igualmente fundamental garantir a implementação efetiva da Lei sobre as Uniões Prematuras, assegurando protecção legal e social às jovens.
Segundo dados das Nações Unidas, cada ano de ensino secundário frequentado por uma rapariga pode aumentar o seu poder aquisitivo em até 25%. Além disso, se todos os meninos e meninas completassem o ensino secundário, 420 milhões de pessoas poderiam sair da pobreza, beneficiando várias gerações.
Investir na educação, saúde e segurança das raparigas é, portanto, essencial para quebrar ciclos de pobreza e desigualdade.
Neste Dia Internacional da Rapariga, o apelo é claro: é preciso ouvir as meninas, amplificar as suas vozes e criar oportunidades para que todas possam sonhar, decidir e liderar.
(Por Joana Mawai)

