Mangal em risco – a luta pela sua sobrevivência

Actualmente, parte deste rio está a transformar-se num leito seco, caracterizado pela ausência de água visível e pela presença de sedimentos como areia, cascalho e pedras, o que motiva a população a tomar o espaço e, assim, cortar árvores para fins domésticos.

Foto: Tina Tadeu

O rio Tembe, situado no distrito municipal de Katembe, no bairro de Incassane, está a beneficiar de reflorestamento de mangais, num esforço entre entidades privadas e governamentais voltado à recuperação de ecossistemas costeiros.

Trata-se de reflorestamento de aproximadamente dois hectares, com a plantação de cinco mil mudas de espécies nativas de mangal, nomeadamente Cariops tagal; Brogueira gymnorhiza e Rhizophora mucroneta. Esta é uma iniciativa entre a Karmol Moçambique em parceria com o Município de Maputo.

O Rio Tembe nasce no sul de Moçambique, próximo à fronteira com a Eswatini, e desagua na Baía de Maputo. Actualmente, parte deste rio está a transformar-se num leito seco, caracterizado pela ausência de água visível e pela presença de sedimentos como areia, cascalho e pedras, o que motiva a população a tomar o espaço e, assim, cortar árvores para fins domésticos.

Estes actos reduzem a biodiversidade e aumenta a vulnerabilidade das comunidades a desastres naturais. São várias as formas que a população de Incassane encontra para abater, principalmente os mangais, que são caracterizados pela sua sublime importância do ponto de vista ecológico, social e económico.

Do ponto de vista ambiental, os mangais reduzem a força das ondas e protegem contra a erosão costeira e ciclones, servindo de barreiras naturais, sobretudo com as mudanças climáticas. Muitas espécies de peixes, caranguejos, camarão e moluscos usam os mangais como abrigo e zona de reprodução. Outrossim, atraem aves, como flamingos, garças e pelicanos.

Segundo o embaixador da Turquia em Moçambique, Ferhat Alkam, os mangais são mais do que apenas vegetação costeira. “São um símbolo de resiliência, equilíbrio e harmonia com a natureza. Estes ecossistemas únicos protegem as linhas costeiras, apoiam a biodiversidade actuam como sumidouros naturais de carbono, ajudando-nos a combater o desafio global das alterações climáticasâ€, diz. 

Já para o director-geral da Karmol Moçambique, Cumhur Aksoy, “esta iniciativa visa a restaurar o meio ambiente local, proteger a linha costeira e promover a biodiversidade e apoiar a sustentabilidade das comunidades ao ecossistemaâ€.

(Por Joana Mawai)