Quando sinto saudades de casa, amarro uma capulana.

A adaptação à nova cultura tem sido gradual e há elementos que ajudam a manter viva a ligação com as suas origens. “Quando sinto saudades de casa, amarro uma capulana. É algo que me conforta e me lembra de onde venho”, explica Guilamba

Foto: Kailane Guilamba

Longe da sua terra natal, Kailane Guilamba é um exemplo de como a juventude moçambicana está a ganhar espaço e voz noutros quadrantes do mundo e aceitou o desafio de partilhar a sua experiência de vida com a revista “MozaVibe”.

Vive actualmente em Taiwan, uma ilha situada no leste da Ásia, na China, conhecida pelo seu rápido desenvolvimento tecnológico e pelo seu sistema de ensino competitivo. Lá frequenta o curso de Gestão de Empresas.

Parte da nova diáspora académica moçambicana, Kailane representa um movimento crescente de jovens que saem do país em busca de conhecimento, mas que continuam enraizados na cultura e nas causas que os movem.

“Chegar até lá exigiu esforço, o processo de selecção foi rigoroso e incluiu meses de formação e preparação, mas o verdadeiro desafio começou com a mudança de ambiente. Estar fora da zona de conforto, num país culturalmente diferente e com métodos de ensino mais exigentes, obrigou-me a adaptar-me rapidamente e, acima de tudo, a aprender a ser independente. Estudar fora é gratificante, mas também desafiador. A forma como se ensina aqui é completamente diferente da de Moçambique. Apesar das diferenças, sinto-me acolhida”, conta.

A adaptação à nova cultura tem sido gradual e há elementos que ajudam a manter viva a ligação com as suas origens. “Quando sinto saudades de casa, amarro uma capulana. É algo que me conforta e me lembra de onde venho”, explica.

No entanto, a sua experiência em Taiwan não se resume apenas à vida académica. Kailane explica estar a desenvolver projectos e tenciona trabalhar em comunidades rurais com vista inspirar mais jovens e raparigas, especialmente em zonas onde a gravidez precoce entre adolescentes ainda é uma realidade preocupante.

“Nestes espaços, terei a oportunidade de aconselhar e inspirar jovens, sobretudo raparigas, a lutarem pelos seus sonhos. Faz sentido poder falar com elas, mostrar que é possível sonhar e chegar mais longe”, continua.

A paixão por representar Moçambique está presente em tudo o que faz. Seja em eventos culturais, feiras gastronómicas ou encontros internacionais, Kailane não perde uma oportunidade de exibir a beleza do país da comida tradicional às roupas típicas.

“Sempre que posso mostrar a nossa cultura, estou lá. Porque é uma forma de contribuir para a imagem positiva de Moçambique fora do país”, conta.

Tal como muitos jovens da diáspora espalhados por países como Portugal, Brasil, África do Sul ou China. Kailane carrega nas suas escolhas o desejo de um futuro melhor, não apenas para si, mas também para a sua comunidade. Encarando os desafios com maturidade, vê neles oportunidades de crescimento.

“Aprender a ser independente é uma das maiores lições. E os desafios moldam-nos. Fazem-nos crescer”, comentou.

Com firmeza e simplicidade, Kailane partilha a sua experiência com “Mozavibe”, ela que representa um Moçambique presente no mundo, aberto ao conhecimento, fiel às suas raízes e determinado em construir pontes entre culturas.

(Por Rafael Langa)