“Muitos ainda pensam que a alimentação equilibrada só está ao alcance de quem tem posses, quando na verdade os alimentos naturais e locais como batata-doce, banana e mandioca são extremamente nutritivos e ideais para a infância”, comentou Macome

Educar o paladar é educar o futuro. Este é o princípio que orienta o trabalho da enfermeira e nutricionista Emília Macome, que se dedica diariamente ao acompanhamento de crianças com desnutrição e problemas alimentares, com foco especial na saúde materno-infantil.
A nutricionista, que cedeu uma entrevista à “MozaVibe”, propõe uma reeducação alimentar que começa em casa e se estende à escola, envolvendo pais, cuidadores e toda a comunidade. Segundo Macome, um dos maiores desafios da actualidade é desfazer o mito de que a nutrição é um luxo acessível apenas a quem tem dinheiro.
“Muitos ainda pensam que a alimentação equilibrada só está ao alcance de quem tem posses, quando na verdade os alimentos naturais e locais como batata-doce, banana e mandioca são extremamente nutritivos e ideais para a infância”, comentou.
O alerta vai para além da escolha dos alimentos. O maior risco, segundo a nutricionista, está no ritmo acelerado da vida moderna, que tem afastado os pais do acompanhamento directo da alimentação dos filhos. A ausência de supervisão, a desinformação das babas e a aleatoriedade nos horários e tipos de refeições são hoje algumas das causas de problemas graves como a anemia, atraso no desenvolvimento, diabetes infantil, hipertensão precoce e enfraquecimento ósseo.
A nutricionista destaca que uma boa alimentação se constrói com variedade em cada refeição. É na combinação equilibrada entre carboidratos, vitaminas, sais minerais e proteínas que o organismo encontra a sua base de imunidade e energia.
“Tudo o que fazemos, a mente acompanha. Alimentar bem é cuidar do corpo e da mente ao mesmo tempo”.
É importante que os pais saibam desempenhar os seus papéis na formação dos hábitos alimentares dos filhos.
“A criança aprende observando. Se os pais comem mal, ela tende a repetir os mesmos comportamentos. E se os pais oferecem doces como prémios criam um padrão psicológico que associa recompensa ao açúcar o que é perigoso a longo prazo”. Por isso, sugere a substituição gradual de doces, por frutas e alimentos naturais, como forma de premiar comportamentos sem comprometer a saúde.
Aos pais com rotinas sobrecarregadas, a nutricionista deixa um apelo:
“Mesmo com pouco tempo, é fundamental conversar com os filhos nos fins-de-semana. Saber o que eles gostam de comer, como têm comido, quais os horários. Isso ajuda a perceber padrões e corrigi-los a tempo”
Para garantir resultados eficazes, a nutricionista insiste na necessidade de os pais ganharem consciência sobre a importância de um boa alimentação para os filhos com vista a instruir da melhor forma aos profissionais que têm o papel de cuidar especificamente da questão alimentar dos seus filhos.
“As babas ou cuidadoras precisam estar informadas sobre os tipos de alimentos que as crianças devem consumir, os horários certos das refeições e o equilíbrio necessário entre variedade e qualidade. Não se trata apenas de alimentar, mas também de preparar o corpo e a mente para enfrentar o mundo”, comentou.
A nutricionista lembra que nenhum alimento substitui outro. Todos têm funções distintas e essenciais ao organismo, e a ausência de qualquer um deles pode comprometer o desenvolvimento físico e mental.
Defende ainda uma acção mais activa das instituições escolares na promoção da saúde alimentar. “Precisamos inserir programas de educação nutricional nas escolas. Palestras, rodas de conversa e actividades que ajudem a criança a entender o que está a comer e porquê.”
(Por Rafael Langa)

