
O Museu Mafalala, na cidade de Maputo, rompe com os moldes tradicionais da museologia. Afirma-se como um verdadeiro símbolo de turismo sustentável, inclusão comunitária e preservação da memória colectiva.
Distante dos padrões convencionais da infra-estrutura museológica, o espaço constrói a sua base de sustentação através de iniciativas paralelas, aliando o empreendedorismo social à promoção cultural.
Dirigido por Ivan Laranjeira, o Museu Mafalala é um espaço de exposição e agente de transformação social e económica. Ao longo dos seus quase seis anos de existência, a instituição tem desafiado estigmas históricos que durante décadas marginalizaram a Mafalala no circuito turístico de Maputo.
"Se a Mafalala um dia foi periferia, hoje, com a expansão orgânica da cidade, a Mafalala é cada vez mais o centro", afirma Ivan Laranjeira, sublinhando a força de uma transformação espontânea que se desenha com o tempo e com a resistência cultural da comunidade.
“A estrutura económica precária e o estigma associado ao bairro refletiam-se directamente na forma como operadores turísticos viam a região, impactando também a autoestima dos seus próprios habitantes”, disse.
Como resposta, nasceu o Festival Mafalala, um evento que impulsiona a cultura local, fortalece a identidade do bairro e reposiciona-o como destino de experiências autênticas.
Hoje, o Museu Mafalala é uma plataforma vibrante que emprega guias de turismo, bibliotecários e galeristas, com foco na preservação e difusão do acervo histórico do bairro. O espaço é também uma voz activa na luta pela descentralização do sector cultural, advogando contra a exclusão dos bairros históricos no desenvolvimento urbano.
“O nosso trabalho é despertar consciências, advogar e estar sempre na linha da frente dos interesses do bairro da Mafalala”, reforça.
Ivan Laranjeira, coordenador da associação IVERCA e director do Museu Mafalala, falava durante um debate virtual internacional sobre “Museu Mafalala – Uma experiência comunitária de ressignificação de memória ”.

