{"id":4257,"date":"2025-12-31T02:00:48","date_gmt":"2025-12-31T02:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/mozavibe.co.mz\/?p=4257"},"modified":"2025-12-30T10:52:48","modified_gmt":"2025-12-30T10:52:48","slug":"entre-o-oral-e-o-lapis-a-nova-vida-ualalapi-em-banda-desenhada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mozavibe.co.mz\/pt_PT\/2025\/culture\/entre-o-oral-e-o-lapis-a-nova-vida-ualalapi-em-banda-desenhada\/","title":{"rendered":"Entre o oral e o l\u00e1pis: a nova vida \u201cUalalapi\u201d em Banda Desenhada"},"content":{"rendered":"<blockquote>\r\n<p>\"Ualalapi\", obra cl\u00e1ssica do escritor mo\u00e7ambicano Ungulani Ba Ka Khosa, publicada originalmente em 1987, ganha uma nova leitura atrav\u00e9s da banda desenhada, numa adapta\u00e7\u00e3o que cruza mem\u00f3ria, hist\u00f3ria e linguagem visual.<\/p>\r\n\r\n<figure id=\"attachment_4259\" aria-describedby=\"caption-attachment-4259\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-4259\" src=\"https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/UNGULANI-3-700x467.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/UNGULANI-3-700x467.jpg 700w, https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/UNGULANI-3-2000x1333.jpg 2000w, https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/UNGULANI-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/UNGULANI-3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/UNGULANI-3-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/UNGULANI-3-449x300.jpg 449w, https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/UNGULANI-3-150x100.jpg 150w, https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/UNGULANI-3-450x300.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4259\" class=\"wp-caption-text\">Foto: JN<\/figcaption><\/figure>\r\n<\/blockquote>\r\n<p>O romance, um dos mais relevantes da literatura mo\u00e7ambicana, nasceu das hist\u00f3rias que o autor ouvia dos seus av\u00f3s sobre o Imp\u00e9rio de Gaza, num exerc\u00edcio de transposi\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o oral para a escrita.<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p>\u201cEu segui o lado da tradi\u00e7\u00e3o oral. Ouvi hist\u00f3rias dos meus av\u00f3s e puxei esse esp\u00edrito para a l\u00edngua portuguesa\u201d, recorda o autor, explicando que a obra procura respeitar a l\u00f3gica e a estrutura do pensamento das l\u00ednguas mo\u00e7ambicanas, ainda que escrita em portugu\u00eas.<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p>Foi a partir desta base que o\u00a0arquitecto e ilustrador, Ad\u00e9rito Wetela, carinhosamente chamado por Ded\u00e9, decidiu recontar Ualalapi em banda desenhada, conferindo \u00e0 obra uma nova aura e ampliando o seu alcance junto de outros p\u00fablicos, sobretudo os mais jovens. A adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 publicada pela Editora Trinta Zero Nove.<\/p>\r\n<p>O lan\u00e7amento da obra teve lugar no distrito de Marracuene, no munic\u00edpio do mesmo nome, num evento moderado por Sandra Tamele, que ao contextualizar o momento, sublinhou a import\u00e2ncia das linguagens visuais como ponto de refer\u00eancia para a compreens\u00e3o de outras formas de comunica\u00e7\u00e3o, incluindo a linguagem inclusiva. Lembrou que, durante muito tempo, estas express\u00f5es estiveram afastadas dos espa\u00e7os centrais do saber, relegadas para \u201catr\u00e1s das bibliotecas\u201d, sem o devido reconhecimento.<\/p>\r\n<p>A publica\u00e7\u00e3o resulta do encontro entre tr\u00eas figuras centrais: Ungulani Ba Ka Khosa, autor do romance original; Ded\u00e9, respons\u00e1vel pela adapta\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica; e Sandra Tamele, editora e fundadora do espa\u00e7o que acolheu o lan\u00e7amento.<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p>\u201cUalalapi \u00e9 um romance hist\u00f3rico escrito por um historiador\u201d, sublinhou Ungulani, situando a obra no contexto pol\u00edtico e social da sua publica\u00e7\u00e3o. \u201cSaiu em 1987, numa altura em que publicar n\u00e3o era simples. Havia sempre o receio de como o livro seria recebido.\u201d<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p>Segundo o autor, o livro ganhou autonomia ao longo dos anos. \u201cO mais importante \u00e9 que o livro est\u00e1 vivo. J\u00e1 n\u00e3o me pertence, anda sozinho\u201d, afirmou, referindo-se \u00e0 perman\u00eancia da obra no imagin\u00e1rio liter\u00e1rio nacional.<\/p>\r\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o para Banda Desenhada nasceu muito antes da forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica de Ded\u00e9. \u201cUalalapi foi feito antes mesmo de eu entrar para a faculdade. Sempre gostei de desenhar e, durante muito tempo, fiz hist\u00f3rias inspiradas nos super her\u00f3is da Marvel e da DC\u201d, contou.<\/p>\r\n<p>Com o tempo, sentiu a necessidade de contar hist\u00f3rias locais. \u201cDesafiei-me a fazer hist\u00f3rias nossas, que reflectissem a nossa hist\u00f3ria como mo\u00e7ambicanos\u201d, explicou, acrescentando que a leitura atenta do romance foi determinante para o processo criativo. \u201cLi o livro v\u00e1rias vezes. Tive de entrar para dentro dos personagens e desenhar exactamente aquilo que o autor escreveu.\u201d<\/p>\r\n<p>Para o ilustrador, a linguagem visual permite que a hist\u00f3ria chegue a leitores que, muitas vezes, n\u00e3o t\u00eam acesso ao romance.<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p>\u201cH\u00e1 leitores que n\u00e3o chegam ao texto liter\u00e1rio, mas chegam \u00e0 banda desenhada. E isso \u00e9 fundamental para criar h\u00e1bitos de leitura\u201d\u00a0Sublinhou.<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p>Ungulani partilha da mesma vis\u00e3o e destacou a import\u00e2ncia da literatura infantil e juvenil e da Banda Desenhada no pa\u00eds.<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p>\u201c\u00c9 triste ver jovens que chegam \u00e0 d\u00e9cima segunda classe sem nunca terem lido uma banda desenhada. Este livro ajuda a massificar o acesso \u00e0 leitura\u201d, afirmou, apelando aos pais para que priorizem o livro como instrumento de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p>Por Joana Mawai<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Ualalapi&#8221;, obra cl\u00e1ssica do escritor mo\u00e7ambicano Ungulani Ba Ka Khosa, publicada originalmente em 1987, ganha uma nova leitura atrav\u00e9s da banda desenhada, numa adapta\u00e7\u00e3o que cruza mem\u00f3ria, hist\u00f3ria e linguagem visual. 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