{"id":3844,"date":"2025-09-29T07:40:40","date_gmt":"2025-09-29T07:40:40","guid":{"rendered":"https:\/\/mozavibe.co.mz\/?p=3844"},"modified":"2025-09-29T07:40:41","modified_gmt":"2025-09-29T07:40:41","slug":"os-adivinhos-dos-fabricantes-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mozavibe.co.mz\/pt_PT\/2025\/culture\/os-adivinhos-dos-fabricantes-da-paz\/","title":{"rendered":"Os adivinhos dos fabricantes da paz"},"content":{"rendered":"<blockquote>\r\n<p style=\"text-align: center;\">A cultura \u00e9 o conjunto de valores, pr\u00e1ticas, tradi\u00e7\u00f5es, express\u00f5es art\u00edsticas, conhecimentos, cren\u00e7as e modos de vida que uma comunidade partilha. Vai desde a l\u00edngua, m\u00fasica e culin\u00e1ria, at\u00e9 \u00e0s formas de conviv\u00eancia, mem\u00f3ria colectiva e s\u00edmbolos.<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n\r\n<figure id=\"attachment_3846\" aria-describedby=\"caption-attachment-3846\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3846\" src=\"https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mabunda-700x525.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mabunda-700x525.jpg 700w, https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mabunda-2000x1500.jpg 2000w, https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mabunda-768x576.jpg 768w, https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mabunda-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mabunda-400x300.jpg 400w, https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mabunda-150x113.jpg 150w, https:\/\/mozavibe.co.mz\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mabunda.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3846\" class=\"wp-caption-text\">Photo: Ermelinda Machungo<\/figcaption><\/figure>\r\n\r\n<p>Ela desempenha um papel essencial na constru\u00e7\u00e3o da paz, reconcilia\u00e7\u00e3o e coes\u00e3o social, e \u00e9 neste esp\u00edrito que surge o PROPAZ, que \u00e9 Cultura para a Promo\u00e7\u00e3o da Paz, com o apoio da Uni\u00e3o Europeia e implementado por um cons\u00f3rcio de organiza\u00e7\u00f5es (CISP, IVERCA, LeMuSiCa e IMD).<\/p>\r\n<p>Desde 2022, o projecto actua em Manica, Sofala e Tete, promovendo laborat\u00f3rios criativos, performances, interven\u00e7\u00f5es visuais e espa\u00e7os de di\u00e1logo, transformando mem\u00f3rias da guerra em plataformas de encontro e cura colectiva.<\/p>\r\n<p>No centro desta iniciativa est\u00e1 agora a exposi\u00e7\u00e3o itinerante \u201cOs Adivinhos dos Fabricantes da Paz\u201d, do artista mo\u00e7ambicano Gon\u00e7alo Mabunda, reconhecido\u00a0nacional e\u00a0internacionalmente. O artista utiliza armas desativadas, desde AK-47, rockets, pistolas e muni\u00e7\u00f5es\u00a0para criar esculturas que evocam m\u00e1scaras, tronos e totens. Cada pe\u00e7a \u00e9 um acto de desarmamento simb\u00f3lico: onde houve destrui\u00e7\u00e3o, surge forma, mem\u00f3ria e esperan\u00e7a.\u00a0<\/p>\r\n<p>Estas obras percorrem\u00a0as cidades de Tete, Chimoio e Beira, num exposi\u00e7\u00e3o que ultrapassa o espa\u00e7o da galeria e\u00a0se\u00a0torna\u00a0justi\u00e7a cultural. Assim, Mabunda levar\u00e1 a sua arte \u00e0s comunidades afectadas pela guerra,\u00a0afirmando a cultura como direito e ferramenta de paz.<\/p>\r\n<p>Mabunda, nascido em Maputo em 1975, \u00e9 uma das vozes mais\u00a0sonantes e\u00a0originais do panorama art\u00edstico africano. Presente em museus e bienais de renome internacional, como o Centre Pompidou, Guggenheim e Bienal de Veneza, o artista alia est\u00e9tica africana e modernista para dialogar com as cicatrizes do colonialismo, guerra civil e desigualdade. O seu percurso art\u00edstico come\u00e7ou no N\u00facleo de Arte de Maputo, tendo participado em projectos pioneiros como o Transforming Arms into Art.\u00a0<\/p>\r\n<p>O Embaixador da Uni\u00e3o Europeia, Antonino Maggiore, destacou que a paz e a reconcilia\u00e7\u00e3o s\u00e3o processos de longo prazo, que exigem, n\u00e3o apenas seguran\u00e7a, mas tamb\u00e9m desenvolvimento inclusivo e fortalecimento das comunidades. Sublinhou ainda que a exposi\u00e7\u00e3o \u201cOs Adivinhos dos Fabricantes da Paz\u201d, de Gon\u00e7alo Mabunda, simboliza esse compromisso colectivo, ao transformar armas desativadas em obras de arte que inspiram di\u00e1logo, esperan\u00e7a e unidade.<\/p>\r\n<p>J\u00e1 Karen Sibell Yin Rafael, Coordenadora do projecto PROPAZ no CISP Mo\u00e7ambique, destacou que a arte tem um papel essencial na cura colectiva e na reconcilia\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Sublinhou que a exposi\u00e7\u00e3o itinerante de Gon\u00e7alo Mabunda transforma armas de guerra em s\u00edmbolos de paz, mem\u00f3ria e dignidade, convidando as comunidades a reflectirem sobre o passado e a constru\u00edrem, juntas, um futuro mais justo e pac\u00edfico.<\/p>\r\n<p>Por outro lado, o curador da exposi\u00e7\u00e3o e presidente da Associa\u00e7\u00e3o IVERCA,\u00a0Ivan Laranjeira, salientou que o projecto PROPAZ tem aproximado as artes das comunidades afectadas pelo conflito, promovendo cura colectiva, mem\u00f3ria e reconcilia\u00e7\u00e3o. Destacou que as esculturas de Gon\u00e7alo Mabunda, feitas a partir de armas de guerra, reflectem a hist\u00f3ria e a cultura de Mo\u00e7ambique, criando novas narrativas de esperan\u00e7a, pensamento cr\u00edtico e paz.<\/p>\r\n<p>As obras de Mabunda so feitas com base em material b\u00e9lico\u00a0proveniente dos rocessos do Desarmamento, Desmobilizao e Reintegra\u00e7\u00e3o o (DDR). A mensagem \u00e9 clara:\u00a0A paz n\u00e3o nasce apenas de acordos, mas de encontros, mem\u00f3rias partilhadas e s\u00edmbolos que curam. Cada visitante \u00e9 convidado a recflectir.<\/p>\r\n<p>(Por Joana Mawai)<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">A cultura \u00e9 o conjunto de valores, pr\u00e1ticas, tradi\u00e7\u00f5es, express\u00f5es art\u00edsticas, conhecimentos, cren\u00e7as e modos de vida que uma comunidade partilha. 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