Tchitundu-Hulu, ponte histórica e espiritual

....as gravuras correrem risco de desaparecer, seja pelo empolamento ou pelas acções térmicas que afectam a camada superficial da rocha, levando à sua fragmentação.

Foto: Alberto Ventura

HÁ locais que, embora não se encontrem no território moçambicano, ajudam a compreender melhor Moçambique. A ligação entre Moçambique e Angola vai além da língua portuguesa, que faz de ambos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Leituras breves e acessíveis transformam espaços como a estação arqueológica de Tchitundu-Hulu, no Namibe, Angola, numa ponte histórica e, de certo modo, espiritual entre este país lusófono e toda a humanidade, pois o local conserva numerosos vestígios de uma das formas mais primitivas de expressão humana, o desenho e a pintura rupestres.

É precisamente esta relevância que leva Angola a requerer que a Estação de Arte Rupestre de Tchitundu-Hulu seja classificada como Património Mundial da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), à semelhança do que aconteceu com a Ilha de Moçambique, em 1991.

Segundo a imprensa angolana, o dossier de candidatura de Tchitundu-Hulu foi recentemente entregue à UNESCO, em Paris, França, por Maria Teixeira, delegada permanente de Angola junto daquela organização internacional. O sítio integra a lista indicativa daquele organismo das nações unidas desde 2017, e a submissão oficial visa promover o turismo cultural e a preservação da identidade angolana.

A importância desta eventual classificação reside também no facto de as gravuras correrem risco de desaparecer, seja pelo empolamento ou pelas acções térmicas que afectam a camada superficial da rocha, levando à sua fragmentação.

O local é conhecido pelas gravuras e pinturas rupestres do Morro Sagrado dos Mucuísses, considerado um dos mais belos conjuntos rupestres da pré-história existentes em Angola, onde abundam representações de animais e desenhos esquematizados. Nos últimos tempos, tem servido como fonte de investigação científica e atraído numerosos turistas nacionais e estrangeiros.

Evidências arqueológicas indicam que foi na província do Namibe que se registou o desenvolvimento inicial da arte rupestre, tornando a preservação deste local essencial para a compreensão da pré-história do continente africano.

 

(Por Lucas Muaga)