Resfriamento sustentável pode gerar ganhos à economia

Com o aumento das ondas de calor e a expectativa de que a procura global por resfriamento triplique até 2050, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) divulgou o relatório Global Cooling Watch 2025 durante a COP30, em Belém.

Foto: André Dias

O documento alerta que, sem mudanças, as emissões do sector poderão quase dobrar e alcançar 7,2 mil milhões de toneladas de CO₂e.

O PNUMA defende a adopção urgente de um Caminho para o Resfriamento Sustentável, capaz de reduzir 64% das emissões previstas até 2050 — ou até 97% caso o sector eléctrico seja totalmente descarbonizado. O plano inclui edifícios mais eficientes, aumento de áreas verdes urbanas e tecnologias de baixo consumo energético.

Segundo Inger Andersen, directora-executiva do PNUMA, o acesso ao resfriamento deve ser tratado como infra-estrutura essencial, ao lado de água e energia. A implementação global das medidas poderia gerar economia de US$ 17 trilhões em custos de energia e evitar 26 trilhões de dólares em investimentos para expansão de redes elétricas, além de garantir resfriamento adequado a até 3 mil milhões de pessoas.

A iniciativa reforça ainda o movimento internacional Beat the Heat, apoiado por mais de 185 cidades e 72 países. Para o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, o avanço mostra que ações coordenadas produzem resultados reais.

Apesar disso, a adopção de políticas ainda é desigual: apenas 54 países têm estratégias completas para resfriamento; 78 cobrem dois pilares; 40 apenas um; e 20 não iniciaram ações.

O relatório conclui que o resfriamento deve ser encarado como um bem público, essencial para a adaptação climática. O autarca de Fortaleza, Evandro Leitão, afirmou que a cidade aposta na natureza como elemento central contra o calor extremo e quer compartilhar experiências com outras cidades no âmbito do Beat the Heat.

(Por Renaldo Manhice)