A hipertensão arterial continua das principais doenças crónicas não transmissíveis. É uma condição caracterizada pela elevação persistente da pressão sanguínea nos vasos arteriais. É considerada uma enfermidade progressiva e de carácter degenerativo, pois tende a agravar-se com o tempo se não for devidamente controlada.

Foto: Tábita Macabur
Segundo Tábita Macabur, médica de clínica geral, a hipertensão arterial é muitas vezes classificada como doença degenerativa. Na maioria das pacientes, não apresenta sintomas evidentes. Assim, cerca de 60 por cento dos hipertensos desconhecem o seu estado, o que agrava o risco de complicações cardiovasculares e cerebrovasculares.
Segundo a especialista, o diagnóstico é realizado por meio da medição dos níveis de pressão arterial. Valores superiores a 140/90 milímetros de mercúrio (mmHg) já configuram hipertensão, enquanto números que atingem 180/190/200 mmHg requerem intervenção médica imediata devido ao risco elevado de acidente vascular cerebral, enfarte agudo do miocárdio ou falência de órgãos vitais.
A evolução da hipertensão arterial está associada a uma multiplicidade de factores. Entre os não modificáveis, destacam-se o género, com maior incidência no sexo masculino, e a etnia, que influencia predisposições genéticas. Já entre os modificáveis, os mais relevantes são o consumo excessivo de álcool, o sedentarismo, a obesidade e o tabagismo. Outro elemento frequentemente negligenciado é a ingestão de açúcares.
De acordo com a médica, a presença excessiva de glicose no organismo provoca retenção acelerada de líquidos, aumentando a pressão arterial de forma significativa. Nesse sentido, o açúcar pode ter um impacto mais nocivo do que o sal, sobretudo quando proveniente de alimentos industrializados. “A gestão do sal na dieta de uma pessoa hipertensa não significa necessariamente eliminar o seu consumo, mas sim controlar as fontes indirectas de ingestão, que se encontram em produtos processados e enlatados”, sublinha Macabur.
Para a médica de clínica geral, a abordagem da hipertensão deve ir além do tratamento farmacológico. Medidas preventivas são essenciais e passam pela prática regular de exercício físico, responsável pela produção de óxido nítrico, substância que auxilia na dilatação e contracção das artérias, contribuindo para a regulação da pressão arterial.
Adicionalmente, a moderação no consumo de álcool, a cessação do tabagismo e a manutenção de um peso corporal adequado são considerados pilares fundamentais para reduzir os riscos associados. A adesão a uma dieta equilibrada, com menor presença de açúcares e gorduras saturadas, complementa a estratégia de controlo. A hipertensão arterial é responsável por milhares de mortes evitáveis a cada ano, descreve Tábita Macabur durante o Webinar sobre Ética e Saúde Publica.
(Por Rafael Langa)

