O objectivo é promover uma releitura crítica da produção cultural e estimular a criação contemporânea a partir dessas memórias.

Arrancou recentemente, em Maputo, uma residência artística que junta 16 jovens artistas emergentes de Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
A iniciativa integra o projecto “Resistência e Afirmação Cultural”, que investiga e recria manifestações artísticas ocorridas durante os processos de libertação colonial dos Países de Língua Oficial Portuguesa - PALOP - e de Timor-Leste, assim como nas lutas antifascistas em Portugal. O objectivo é promover uma releitura crítica da produção cultural e estimular a criação contemporânea a partir dessas memórias.
A residência resulta de uma parceria entre a Associação Cultural Scala e a Khuzula. Foram recebidas mais de uma centena de candidaturas dos sete países envolvidos, das quais saíram os 16 artistas participantes.
Durante três semanas, estes criadores vão cruzar linguagens de teatro, música, dança e poesia, culminando num espectáculo final multidisciplinar que reunirá mais de 50 intervenientes, incluindo músicos e técnicos moçambicanos. O resultado será filmado e documentado, passando a integrar a plataforma digital CASA, uma biblioteca virtual das artes performativas dos países do projecto.
Vozes da direcção artística
Para Sol de Carvalho, director-geral da residência e representante da associação Scala, a iniciativa ganha relevância especial no contexto das comemorações dos 50 anos das independências dos PALOP, onde destaca o fim da guerra, mas que as feridas das mesmas sangram no corpo e na história.
“O palco é onde vamos expor essas cicatrizes e, quem sabe, iniciar a sua cura. Esta residência não dá respostas, mas lança pistas, provoca diálogos e, sobretudo, junta ideias”, disse.
Já a produtora artística da residência, a Khuzula, representada por Júlia Novela, destaca a fusão cultural como força motriz desta iniciativa.
“O importante é ter a simbiose, a conexão, a união para criar algo novo. Não importa se é o semba de Angola, a morna de Cabo Verde, o gumbé da Guiné-Bissau, a marrabenta de Moçambique, o puxa de São Tomé e Príncipe, o tebe-tebe de Timor-Leste ou a balada de Portugal. No fundo, é tudo conversa de irmão.”
Enquadramento e apoios
O Resistência e Afirmação Cultural é coordenado pelo Scala (Moçambique) e reúne sete instituições dos países de língua portuguesa. Conta com o apoio do Procultura, acção do programa PALOP–TL e UE, financiada pela União Europeia, co-financiada e gerida pelo Camões, I.P., e pela Fundação Calouste Gulbenkian. O programa dispõe de um orçamento total de 19 milhões de euros e visa criar emprego através da economia cultural e criativa nos PALOP e em Timor-Leste.
O projecto tem ainda apoio estratégico do Ministério da Educação e Cultura de Moçambique, da Rede de Centros Culturais Portugueses nos PALOP e de outros parceiros locais.
Apresentação final
O resultado da residência será partilhado com o público no dia 12 de Setembro, no palco do Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo.
(Por Joana Mawai)

