O Cine-teatro Scala, um dos centros mais históricos e emblemáticos de Maputo, acolhe até 30 de Novembro, uma exposição que desvenda os bastidores do clássico “O Tempo dos Leopardos”, no âmbito da terceira edição dos Encontros do Património Audiovisual.

O filme "O Tempo dos Leopardos" é uma co-produção histórico-revolucionária moçambicano-soviética, lançada em 1985, marcando a primeira longa-metragem de ficção produzida no país, após aindependência, que caracteriza a história do cinema nacional.
O filme assinala quatro décadas da obra cinematográfica moçambicana e apresenta três núcleos distintos que se entrelaçam numa narrativa sobre a memória colectiva. Num dos espaços, a artista franco-sérvia, Mila Turajlic, apresenta uma vídeo-instalação que resgata imagens esquecidas da luta de libertação, captadas pelo operador jugoslavo Dragutin Popović, na Tanzânia.
A organização descreveu a exposição como “um acto de resistência” perante os desafios enfrentados pela preservação do património cinematográfico nacional.
“Queríamos criar um espaço permanente, mas dependemos de outras instituições e esse sonho foi novamente adiado”, explicou fonte da Associação dos Amigos do Museu do Cinema (AAMCM).
O segundo eixo da exposição é dedicado inteiramente a “O Tempo dos Leopardos”, revelando documentos originais do processo criativo que uniu Luís Carlos Patraquim, Licínio Azevedo, Zdravko Velimirović e Branimir Šćepanović, na escrita do argumento.
O terceiro núcleo apresenta entrevistas com antigos funcionários do Instituto Nacional de Cinema, material que constitui o principal acervo da AAMCM e que retrata a vida nas salas de exibição durante os primeiros anos da independência.
A escolha do Cinema Scala não é casual. “Numa cidade onde as salas de cinema foram desaparecendo, queremos chamar a atenção para estes edifícios que fazem parte do nosso património cultural”, sublinhou a organização.
A actividade integra-se nos Encontros do Património Audiovisual, que decorrem até 30 de Outubro em três espaços da capital, reunindo especialistas internacionais para debater “O Cinema e as Independências dos PALOP”.
A acção conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e de várias instituições culturais nacionais e internacionais, representando um esforço continuado para preservar a memória audiovisual dos países africanos de língua portuguesa.
(Por Joana Mawai)

