O cancro da próstata continua das principais causas de mortalidade masculina no mundo e Moçambique não foge a essa realidade. Apesar dos avanços científicos e da crescente disponibilidade de informação, muitos diagnósticos ainda chegam tarde.

Durante um webinar promovido recentemente pelo Instituto Nacional de Saúde, o médico urologista, Ladino Manuel destacou que a prevenção continua a ser a ferramenta mais poderosa na luta contra a doença, que avança sem alarde e, muitas vezes, sem sintomas evidentes.
Para o especialista, o combate ao cancro da próstata depende da normalização do diálogo, da eliminação de estigmas e de um esforço contínuo para incentivar os homens a procurarem o diagnóstico precoce. “A coragem não está em suportar a dor. Está em enfrentá-la antes que ela apareça”.
Segundo o especialista, o grande desafio reside na natural resistência que muitos homens têm em procurar cuidados médicos de rotina. Essa resistência cultural, emocional ou mesmo por desconhecimento é um dos factores que contribuem para o aumento de diagnósticos tardios. O especialista sublinha que a maior parte dos casos poderia ser identificada mais cedo se a população masculina adoptasse uma postura preventiva.
“O cancro da próstata não precisa ser uma sentença. Quando detectado a tempo, as hipóteses de tratamento com sucesso são extremamente elevadas”.
A próstata, pequena e discreta no organismo, desempenha funções essenciais para a fertilidade masculina. Contudo, com o avanço da idade, sobretudo após os 50 anos, torna-se mais vulnerável a alterações que podem evoluir para um tumor maligno. Embora nem todos os tumores sejam agressivos, a ausência de sintomas nas fases iniciais torna o rastreio regular um compromisso inegociável. Ladino alerta que a doença pode estar presente durante anos, até que sinais como dificuldade em urinar, dor pélvica ou sangue na urina indicam um estágio já avançado.
A prevenção, explica oespecialista, está ancorada em duas dimensões: o rastreio e o estilo de vida. O rastreio inclui exames simples e acessíveis, como o PSA (Antígeno Prostático Específico) e o toque rectal, que permitem avaliar mudanças na glândula muito antes de se tornarem graves.
“O toque rectal continua a ser um tabu, mas é fundamental. Pode salvar vidas porque permite uma percepção clínica mais precisa da próstata”. Segundo o especialista, os homens com histórico familiar da doença devem começar o rastreio mais cedo, por volta dos 40 a 45 anos.
Para além dos exames, a prevenção também passa por escolhas do quotidiano. Uma alimentação rica em vegetais, frutas frescas e fibras, aliada à redução de gorduras saturadas, álcool e carnes processadas, contribui para reduzir o risco. A prática regular de actividade física, o controlo do peso e a redução do stress completam o conjunto de medidas que ajudam a proteger o organismo.
“O estilo de vida moderno tem sido determinante no aumento de doenças crónicas. Pequenas mudanças podem ter um impacto enorme na saúde masculina”, defendeu Ladino durante o webinar.
Ao abordar as formas de combater o cancro da próstata, o médico destaca que o tratamento varia conforme o estágio da doença e a condição física do paciente. Cirurgia, radioterapia, terapias hormonais e vigilância activa são alguns dos caminhos disponíveis. No entanto, a escolha mais eficaz continua a ser a prevenção, que permite evitar intervenções invasivas e preservar a qualidade de vida.
Ladino acrescenta que muitos dos mitos em torno da doença como a ideia de que o diagnóstico tardio é inevitável precisam de ser combatidos com mais educação em saúde, campanhas direccionadas e discussões abertas sobre a masculinidade e o auto-cuidado.
O webinar proporcionado recentemente pelo Instituto de Saúde reforçou, assim, a urgência de transformar o debate sobre o cancro da próstata num compromisso social e individual.
(Por Rafael Langa)

