Moçambique enfrenta um quadro epidemiológico marcado por surtos de cólera em diferentes pontos do país e pelo aumento de casos de malária, sobretudo neste período chuvoso.

As autoridades sanitárias confirmam a existência de vários focos activos de cólera, o que, do ponto de vista técnico, configura uma epidemia.
Segundo informações avançadas pelo Ministério da Saúde, decorrem intervenções prioritárias nas províncias de Tete e Nampula, onde quatro distritos foram seleccionados para a campanha de vacinação, numa altura em que os dados oficiais apontam que 71 pessoas morreram por cólera e outras mais de cinco mil foram infectadas.
No que respeita à malária, continuam a ser notificados milhares de casos em todo o território nacional, mantendo-se como uma das principais causas de internamento e morte, sobretudo entre crianças menores de cinco anos e mulheres grávidas.
As autoridades sublinham que a evolução dos números é dinâmica, variando de acordo com a província e o distrito, razão pela qual a vigilância epidemiológica foi reforçada.
No âmbito da resposta à cólera, o país recebeu inicialmente cerca de 2,5 milhões de doses de vacina oral, estando prevista a chegada de mais 700 a 750 mil doses nas próximas semanas. No total, serão alocadas aproximadamente 3,5 milhões de doses às duas províncias prioritárias.
Paralelamente, está em curso a distribuição massiva de redes mosquiteiras impregnadas com inseticida. Estão previstas cerca de 865 mil redes para a província de Gaza e aproximadamente 941 mil para Inhambane, números que poderão sofrer pequenos ajustes após o levantamento final no terreno.
Para a cólera, as autoridades recomendam o consumo de água tratada ou fervida, a lavagem frequente das mãos com água e sabão, a correcta preparação e conservação dos alimentos, o uso adequado de latrinas e a adesão à vacinação nas áreas abrangidas.
No caso da malária, a prevenção passa pelo uso correcto e diário de redes mosquiteiras, pela pulverização intradomiciliária, pela eliminação de águas paradas nas comunidades e pela procura imediata de cuidados de saúde em caso de febre, calafrios, dores de cabeça e mal-estar geral.
O Ministério da Saúde reconhece a existência de focos de desinformação em algumas comunidades, situação que pode comprometer a adesão às campanhas. Equipas técnicas e agentes polivalentes elementares estão no terreno a reforçar a sensibilização porta a porta, garantindo que a população receba informação correcta e atempada.
A resposta em curso envolve vigilância epidemiológica, reforço dos centros de tratamento, mobilização comunitária e coordenação com parceiros de cooperação. Num contexto em que os desafios de acesso à água potável e saneamento ainda persistem, as autoridades defendem que o controlo da cólera e da malária exige não apenas intervenção médica imediata, mas também investimentos estruturais de longo prazo.
(Por Joana Mawai)

