O fármaco será introduzido com prioridade para populações em situação de vulnerabilidade acrescida, embora os critérios de elegibilidade ainda estejam em definição pelas autoridades sanitárias.

A partir de 2026, um novo tratamento de prevenção do HIV será introduzido no Sistema Nacional de Saúde (SNS). A medida representa uma reconfiguração da resposta nacional ao vírus, com a introdução do medicamento lenacapavir, aprovado recentemente para uso profilático em contextos de alta prevalência.
De acordo com o Ministério da Saúde, a fase inicial da implementação prevê a disponibilização de entre 80 a 90 mil doses, que serão administradas semestralmente a cerca de 30 mil pessoas. O fármaco será introduzido com prioridade para populações em situação de vulnerabilidade acrescida, embora os critérios de elegibilidade ainda estejam em definição pelas autoridades sanitárias.
O lenacapavir actua como profilaxia de longa duração e será administrado através de injecção subcutânea em intervalos de seis meses. A sua adopção pretende responder ao desafio da adesão irregular às formas tradicionais de prevenção, como os comprimidos diários de profilaxia pré-exposição (PrEP). Estudos internacionais indicam que o medicamento apresenta eficácia elevada na prevenção da infecção pelo VIH, especialmente em contextos com barreiras de acesso à saúde e dificuldades logísticas.
O país contabiliza actualmente cerca de dois milhões e quinhentas mil pessoas em tratamento anti-retroviral, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Esta cifra representa uma das maiores cargas de VIH na África Austral, e mantém a epidemia como uma das principais prioridades de saúde pública no país.
A introdução do lenacapavir será acompanhada por um plano de monitoria e avaliação, incluindo o registo de efeitos clínicos, adesão, cobertura e impacto na taxa de novas infecções. As autoridades sanitárias consideram que o sucesso da sua implementação dependerá também da integração com estratégias comunitárias, campanhas de informação e formação contínua de profissionais de saúde.
A entrada do lenacapavir no sistema público constitui, assim, um teste à capacidade do país de absorver tecnologias médicas inovadoras e traduzi-las em acesso equitativo e impacto mensurável.
Moçambique mantém o compromisso com os objectivos internacionais de redução da incidência do VIH, alinhado com as metas globais para 2030. A inclusão de novos métodos preventivos representa um passo técnico e político que exigirá acompanhamento rigoroso, coordenação institucional e continuidade nos investimentos em saúde pública.
(Por Rafael Langa)

