Mélio Tinga e Léo Cote vencem Prémio Mia Couto

Os escritores moçambicanos Mélio Tinga e Léo Cote são os vencedores da edição de 2025 do Prémio Literário Mia Couto, promovido pela Associação Kulemba em parceria com a Cornelder Moçambique. O prémio reconhece anualmente as melhores obras literárias publicadas no país.

Mélio Tinga
Leo Cote

Mélio Tinga foi distinguido na categoria de prosa pelo livro Névoa na Sala, enquanto "A Instalação do Corpo", de Léo Cote, venceu na categoria de poesia.

O anúncio dos vencedores foi feito na tarde desta sexta-feira, durante a Feira do Livro da Beira. O júri do prémio foi composto por Nataniel Ngomane (presidente), Teresa Noronha, Vanessa Riambau Pinheiro, Joaquim Arena e Marcelo Panguana.

Cada autor premiado receberá 400 mil meticais como reconhecimento pelo seu trabalho.

"Névoa na Sala" é uma obra que mergulha nas tensões do quotidiano moçambicano, abordando o mal — tanto no contexto da guerra quanto nas relações interpessoais — e o amor como força oposta. A narrativa é marcada por passagens densas e descrições por vezes duras e violentas.

Já "A Instalação do Corpo", publicado pela Gala-Gala Edições, apresenta uma escrita introspectiva, composta por textos médios e longos que exploram temas como o corpo, a paixão, a poesia e a “Ilha” (Muhipiti). A obra evidencia influências de grandes nomes da literatura moçambicana, como Rui Knopfli, Luís Carlos Patraquim, Virgílio de Lemos e Sangare Okapi.

Mélio Tinga é autor de dez livros de ficção publicados em Moçambique, Portugal e Brasil. Tem obras adaptadas para o teatro e actua como curador, editor e gestor cultural, com destaque para projectos de incentivo à leitura, escrita e divulgação da literatura moçambicana.

Léo Sidónio de Jesus Cote, nascido em 1981, em Maputo, estudou Linguística e Literatura na Universidade Eduardo Mondlane. Foi professor do ensino primário e secundário, e actualmente trabalha como revisor linguístico. Entre 2003 e 2004 integrou o projecto JOAC (Jovens e Amigos da Cultura) e, em 2004, co-fundou o grupo Arrabenta Xithokozelo, que dinamizou noites de poesia e música no Modaskavalu, no Teatro Avenida.

(Por MozaVibe)