
Num mundo cada vez mais interligado, os percursos da diáspora africana revelam-se como pontes valiosas entre o conhecimento global e as necessidades locais.
Jovens que partem para estudar no estrangeiro e regressam aos seus países de origem trazem consigo mais do que diplomas: carregam novas visões, competências técnicas e um profundo desejo de transformar as suas comunidades.
Leopoldina Gouveia é um desses rostos da diáspora moçambicana que regressa não apenas com bagagem académica, mas com o propósito claro de fazer a diferença.
Natural da cidade da Beira, Leopoldina iniciou a sua formação superior em Moçambique, onde concluiu a licenciatura em Direito pela Universidade Eduardo Mondlane.
Desde cedo envolvida em acções de sensibilização sobre as mudanças climáticas, viveu em 2015 um momento marcante, quando o mundo se mobilizava para a histórica COP 21, em Paris. Foi nessa altura que despertou o interesse por aprofundar os estudos na área ambiental e buscar respostas jurídicas para os desafios do clima.
Seguiu para França, onde concluiu o mestrado em Direito do Ambiente e Urbanismo, na prestigiada Universidade Jean Moulin Lyon III, referência francesa na área ambiental.
O regresso a Moçambique foi marcado pela acção. Desde 2021, Leopoldina Gouveia, jurista e especialista em Direito do Ambiente e do Urbanismo, integra a organização Natural Justice Lawyers for Communities and Environment, onde actua como oficial de programas para a África Austral.
No exercício da função, trabalha com comunidades em Moçambique, Namíbia e Botswana, promovendo o acesso à justiça ambiental, o reconhecimento dos direitos sobre os recursos naturais e o fortalecimento de estruturas legais e políticas.
Além disso, colabora com a Divisão das Nações Unidas para Assuntos Oceânicos e Direito do Mar, ampliando a sua actuação para questões de governança e protecção dos ecossistemas marinhos. Em Moçambique, destacou-se por sua contribuição no processo de revisão da nova Lei de Florestas (2023), um marco que reforça os direitos das comunidades e a gestão sustentável dos recursos naturais.
“Estudar na França transformou-me de uma jovem curiosa em uma profissional comprometida com a justiça ecológica e social”, partilha. “As competências e a visão intercultural que desenvolvi lá continuam a alimentar a minha prática jurídica mais inclusiva, ecológica e próxima das realidades locais.”
Com o desejo de continuar a crescer profissionalmente, Leopoldina considera a possibilidade de um doutoramento. O seu regresso, sustentado por conhecimento e compromisso, é mais do que um reencontro com as origens, é um regresso de impacto, um exemplo de como a diáspora pode ser uma força activa na construção de um futuro mais justo e sustentável para Moçambique e para a região.
(Por Renaldo Manhice)

