Inteligência Artificial não substitui o profissional

O sector da educação pode ser usado como um exemplo de como a Inteligência Artificial (IA), que está a transformar profundamente o mundo, não é capaz de substituir um profissional. Pelo menos não completamente.

Foto: UPM

 Especialistas, académicos e representantes de instituições tecnológicas sublinham que o debate sobre o impacto da IA no ensino superior deixou de ser uma questão futurista tornou-se uma urgência estratégica para a construção das universidades do amanhã.

A discussão em torno desta temática tem ganhado força à medida que a digitalização se consolida como um eixo estruturante da sociedade moderna. A IA é hoje vista como uma força motriz capaz de impulsionar a inovação científica, garantir maior eficiência institucional e promover uma educação inclusiva e equitativa. Contudo, os académicos alertam para a necessidade de um uso ético e regulado dessa tecnologia, evitando que o progresso técnico ultrapasse os princípios de transparência e responsabilidade.

Para o Doutor Célio Sengo, a Inteligência Artificial representa uma “força de disrupção” que desafia as universidades a reformularem os seus métodos pedagógicos, as suas estratégias de investigação e os seus modelos de gestão.

“A IA não substitui o professor, mas redefine o seu papel. É uma aliada do conhecimento e uma ferramenta que pode aproximar a academia da realidade contemporânea, gerando inovação, inclusão e eficiência”, explicou.

A IA já não é uma promessa futura, mas uma realidade presente, e a sua incorporação no ensino superior exige planeamento, visão e responsabilidade social.

Para o reitor da Universidade Pedagógica de Maputo (UPM), Jorge Ferrão, a integração da IA na academia deve ser feita com consciência social e alinhada às realidades nacionais.

“As novas tecnologias estão a moldar a ordem mundial e a redefinir o papel das universidades. É imperativo que a Inteligência Artificial sirva para reduzir desigualdades, sobretudo entre zonas urbanas e periféricas, garantindo uma educação mais justa e sustentável”, afirmou.

Por outro lado, a formação de docentes e investigadores com competências digitais e éticas é vista como uma prioridade nacional para que o país possa tirar o máximo proveito desta revolução tecnológica.

Sob o lema “Inteligência Artificial: Catalisador da Mudança e Nascimento das Universidades do Amanhã”, a Universidade Pedagógica de Maputo (UPM) promoveu um debate que reuniu especialistas em IA, representantes do INTIC, docentes e estudantes, para discutir o papel da tecnologia na transformação académica moçambicana. Reforçando a urgência de uma reflexão profunda sobre como a IA pode ser usada.

(Por Rafael Langa)