“Educar em tempos de emergência climática também é formar jovens capazes de compreender o mundo que enfrentam e de não desistir dele”, sublinha académico.
Foto: Catarina Sive
A educação é um dos pontos vulneráveis em tempos em que as mudanças climáticas vão deixando impactos cada vez mais devastadores. Ciclones, cheias, secas prolongadas e deslocações forçadas têm interrompido percursos escolares, afastando milhares de crianças e jovens das salas de aula. Expõem, deste modo, fragilidades estruturais do sistema educativo, um dos sectores-chave de qualquer nação.
Segundo o activista social e académico António Chaúque, esta situação não pode ser encarada apenas como um problema logístico ou institucional, afinal trata-se, acima de tudo, de uma crise social que exige respostas articuladas entre famílias, comunidades, escolas e decisores públicos.
“Quando a escola fecha por causa das cheias ou quando uma família é obrigada a deslocar-se, o risco maior não é a interrupção temporária, mas o abandono definitivo”, alerta.
Neste contexto, os encarregados de educação surgem como o primeiro pilar de contenção. Mesmo em situações de perda material, instabilidade habitacional ou insegurança alimentar, a manutenção do vínculo das crianças e jovens com a educação torna-se um acto de resistência. Incentivar o regresso à escola, dialogar com professores, procurar alternativas provisórias de aprendizagem e valorizar o estudo como prioridade familiar são atitudes que, segundo Chaúque, fazem a diferença entre a interrupção momentânea e a ruptura irreversível do percurso escolar.
No entanto, a responsabilidade não recai apenas sobre os adultos. Os próprios alunos são chamados a assumir um papel activo, desenvolvendo resiliência, disciplina e sentido de propósito num ambiente marcado pela incerteza.
“Educar em tempos de emergência climática também é formar jovens capazes de compreender o mundo que enfrentam e de não desistir dele”, sublinha o académico.
Chaúque defende ainda que estas situações revelam a urgência de uma educação que vá além do currículo formal. A escola deve dialogar com a realidade climática, preparando alunos e famílias para lidar com riscos ambientais, deslocações e reconstrução comunitária. Nesse processo, os encarregados de educação deixam de ser apenas acompanhantes do percurso escolar e passam a ser parceiros activos na defesa do direito à educação, mesmo em cenários adversos.