Em Moçambique, poucas paisagens traduzem tão bem esse espírito como a Ilha da Inhaca, a joia que guarda, a apenas 32 quilómetros da cidade de Maputo, um tesouro natural e histórico que merece ser contemplado com olhos de viajante e coração de guardião.

Pequena no mapa – apenas 42 quilómetros quadrados – Inhaca impõe-se pela grandeza da sua biodiversidade: mais de 12 mil espécies catalogadas, 150 corais, 300 aves e quatro espécies de tartarugas que ali encontram berço. A sua costa, protegida como reserva integral, abriga dunas consolidadas onde a vegetação resiste ao sopro do Índico, e a vizinha Ilha dos Portugueses, outrora chamada Ilha dos Elefantes, completa o quadro de um santuário que é, ao mesmo tempo, laboratório vivo da Estação de Biologia Marítima da Universidade Eduardo Mondlane.
Inhaca também carrega memórias de encontros e trocas. No século XVI, portugueses recém-chegados firmaram ali um posto comercial, fazendo do povo tsonga mediador do comércio de marfim com os zulus. Séculos depois, em 1892, o título de Barão de Inhaca selava um capítulo da história colonial que ecoa, silencioso, nas ruínas e nas narrativas orais da ilha.
Visitar a ilha é aceitar o convite para caminhar entre memórias e recifes, escutando o rumor do mar como quem escuta o próprio tempo. Neste Dia Mundial do Turismo, Inhaca recorda-nos que viajar é também proteger: cada passo na areia é promessa de preservação.
(Por MozaVibe)

