Imunização contra a Covid-19 reduz o risco de morte

Um dos maiores estudos já realizados sobre a segurança das vacinas contra a Covid-19 trouxe uma conclusão clara e surpreendentemente positiva: adultos que receberam pelo menos uma dose de uma vacina de mRNA têm menor risco de morte por qualquer causa.

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A investigação, conduzida na França e publicada recentemente, reforça a ideia de que a vacinação continua uma poderosa aliada da saúde pública. De acordo com o estudo, que seguiu 28 milhões de adultos franceses entre 18 e 59 anos, pessoas vacinadas apresentaram menos mortalidade global ao longo de quase quatro anos, um dado que contraria receios antigos sobre possíveis efeitos adversos a longo prazo.

A investigação foi conduzida pelo Epi-Phare, grupo científico ligado à Agência Nacional Francesa para a Segurança dos Medicamentos. Utilizando dados do Sistema Nacional de Saúde, o estudo analisou 22,7 milhões de adultos vacinados e comparou-os com 5,9 milhões de não vacinados, acompanhados ao longo de 45 meses.

Os resultados mostram que a mortalidade entre os vacinados foi de 0,4%; e entre os não vacinados, 0,6%. Os investigadores explicam que essa redução está associada sobretudo à forte protecção contra formas graves da Covid-19, reduzindo assim complicações que poderiam evoluir para óbito.

Sugerem que menos casos de Covid-19 prolongada também podem ter contribuído para um risco inferior de morte. Apesar de aparentemente pequenas, essas diferenças representam dezenas de milhares de vidas poupadas em larga escala.

O estudo não encontrou qualquer aumento de risco em causas específicas de morte, como cancro, doenças cardiovasculares ou acidentes entre pessoas vacinadas. Para os cientistas, a conclusão é inequívoca: uma relação causal entre a vacinação e excesso de mortalidade a longo prazo parece altamente improvável. Pelo contrário, a imunização surge como um factor de protecção que se estende muito além da prevenção da doença grave.

À luz destes resultados, especialistas defendem que compreender a vacinação apenas como resposta à pandemia é insuficiente. Ela permanece, hoje, um instrumento essencial de promoção da vida.

(Por Rafael Langa)