Noémia de Sousa (1926–2002) “ressuscitou” e regressou à Mafalala através da programção do museu com o mesmo nome daquele bairro da ciadde de Maputo, que é histórico por, entre mais coisas, a ter acolhido.

Através de poemas que escreveu a partir de lá, desde o tempo colonial até a 2002, quando faleceu em Portugal, tornou-se numa das maiores vozes da poesia moçambicana, como ilustra o Museu Mafalala que a relembra e homenageia por ocasião do seu centenário de nascimento. Fá-lo com actividades que mostram o quão a sua poesia, escrita predominantemente entre 1948 e 1951, é nacionalista, de exaltação da africanidade e de denúncia da opressão colonial, conforme se constata no livro “Sangue Negro”.
A “missa” à considerada “mãe dos poetas moçambicanos” contemplam música, gastronomia, cinema e artes visuais. A primeira sessão foi esta semana com CineClube Mafalala - Os nossos heróis - com a exibição do filme “Mafalala Blues”, de Camila de Sousa, e do fotográfo Mauro Pinto, sob a produção da Ébano.
Com 24 minutos, a obra de 2010, é descrita como uma intervenção fotográfica e instalação que explora a memória histórica e cultural da Mafalala. Presta homenagem à Noémia de Sousa (tia-avó de Camila), utilizando a casa onde ela viveu na rua de Goa como ponto central para reflectir sobre identidade moçambicana e resistência colonial.
A outra sessão de cinema, a acontecer no dia 25, tem como cartaz o filme “Chibanga”, de Thomas Behrens, um documentário sobre o moçambicano Ricardo Chibanga (1942-2019), o primeiro toureiro africano e negro que na década de 1960 foi um dos mais famosos no mundo, principalmente em Portugal e Espanha.
A derradeira celebração será a 26 de Fevereiro, quando Juvenil Lezile, artista do Niassa, vai inaugurar a exposição de escultura “O Corpo que guarda os ausentes”, que conta com a curadoria de Ivan Laranjeira, director do espaço.
Com obra dispersa em vários jornais e revistas, Noémia de Sousa começou por publicar no jornal “O Brado Africano”. Nasceu na Catembe, em Maputo, e também se destacou como jornalista e activista.
(Por Lucas Muaga)

