Chula: conhecer o Vietnam através da moda

Há quem diga que para melhor conhecer um país pode se apreciar o vestuário dos seus cidadãos. A roupa não se limita apenas a simples panos e enfeites do corpo. Também traduz, de certa forma, a cultura de um povo.

Foto: FFLC

Esta segunda-feira, em Maputo, alguns amantes da moda  têm a oportunidade de  conhecer um pouco do Vietnam, um país do sudeste asiático, no mar da China Meridional, conhecido pelas praias, rios, pagodes budistas e cidades frenéticas, conforme se pode saber através das pesquisas mais simples.

Um pouco daquele país que tem como capital Hanói, em homenagem a Ho Chi Minh, nome não estranhos aos moçambicanos, por ter baptizado algumas das avenidas desta pérola do Índico, pode ser visto nos artigos de moda da marca vietnamita Chula, conhecidas por possuírem traços multiculturais.

Estes artigos chegaram a Maputo através de uma exposição e feira artesanal apresentada na Fundação Fernando Leite Couto (FFLC). O conjunto de moda é divulgado pela estilista e co-fundadora da marca, Laura Fontán Pardo, num ambiente onde se vai expor peças exclusivas da marca, assim como dialogar sobre o contexto de produção das mesmas.  

A Chula, de acordo com a Fundação Fernando Leite Couto, foi fundada por Laura e o seu marido Diego Cortizas, que perdeu a vida em 2021, depois de uma viagem ao Vietname em 2003. Impactados pela energia vibrante, cultura multifacetada e pelos têxteis únicos do país, o casal decidiu deixar os seus empregos e mudar-se para Hanói por um ano sabático.

Nos últimos vinte anos, lê-se na nota da “Fundação”, a Chula tornou-se uma referência no cenário da moda e da arte vietnamita, sendo a única marca de moda estrangeira a participar em todas as Semanas de Moda do Vietname desde 2011.

As suas colecções também foram apresentadas em passarelas internacionais: no Grand Canyon do Colorado (2014), na Expo do Dubai (2019), na Etiópia, no Gana, em Paris, Nova Iorque e muitos outros locais.

De forma memorável, em 2020, Diego e Laura foram condecorados com a Medalha de Mérito Civil pelo Rei de Espanha, Felipe VI, pelo seu trabalho na construção de pontes entre Espanha e Vietname.

Desde o início, a Chula destacou-se por seu estilo artístico, colorido e narrativo. Cada peça é pensada como uma história visual, incorporando bordados manuais, ilustrações e técnicas artesanais locais. A marca tornou-se referência no conceito de slow fashion, priorizando produção ética, qualidade e durabilidade em oposição à moda rápida.

A Fundação Fernando Leite Couto acrescenta que um dos pilares mais importantes da Chula é o compromisso social. A empresa emprega e capacita artesãos, incluindo pessoas com deficiência, promovendo inclusão, autonomia e desenvolvimento comunitário. Essa dimensão social tornou-se parte central da identidade da marca.

(Por MozaVibe)