Aprendendo a produzir gás...

O curso tem como base metodológica o princípio da replicação: os formandos são encorajados a transferir o conhecimento para os seus bairros, criando núcleos de produção local e dinamizando práticas comunitárias em torno da gestão de resíduos e do uso de fontes energéticas alternativas.

Foto: CACQ

Vinte jovens da cidade de Quelimane participaram recentemente numa formação centrada na produção e utilização de biogás como alternativa energética para cozinhar. O curso, com duração de duas semanas, oferece conteúdos técnicos e práticos sobre a montagem, operação e manutenção de biodigestores sistemas que convertem resíduos orgânicos em gás utilizável e insere-se numa estratégia mais ampla de promoção de soluções sustentáveis a nível comunitário.

A iniciativa é da Associação para a Preservação Ecológica e da Biodiversidade (APEB), em parceria com o Conselho Autárquico de Quelimane (CACQ), no âmbito do Fundo Juvenil para Iniciativas Climáticas. Conta com o apoio da Bloomberg Philanthropies, no quadro do seu compromisso com o combate às alterações climáticas e com a criação de oportunidades para a juventude.

O engenheiro Brito Lopes, responsável pela componente técnica, apresentou um conjunto de intervenções integradas que se articulam com a protecção ambiental e a promoção de meios de vida sustentáveis. Entre elas, destacou a produção de carvão ecológico e o cultivo de camarão, tilápia e caranguejo, com enfoque no repovoamento dos mangais e na recuperação de ecossistemas degradados.

O curso tem como base metodológica o princípio da replicação: os formandos são encorajados a transferir o conhecimento para os seus bairros, criando núcleos de produção local e dinamizando práticas comunitárias em torno da gestão de resíduos e do uso de fontes energéticas alternativas. A proposta parte da constatação de que o modelo tradicional de consumo de lenha e carvão continua a exercer forte pressão sobre os recursos florestais, exigindo respostas que combinem eficiência energética, acessibilidade e respeito pelos ecossistemas.

Para além da componente técnica, o programa inclui sessões sobre gestão de pequenos negócios, activismo ambiental, voluntariado e organização comunitária. Estes módulos procuram alargar a intervenção dos jovens, preparando-os para integrar redes locais de acção climática, impulsionar iniciativas económicas de base ecológica e reforçar o papel da juventude na transição energética.

A formação acontece num contexto em que o debate sobre energias renováveis, justiça climática e adaptação local às mudanças ambientais tem vindo a ganhar relevância em Moçambique. Quelimane, em particular, tem sido palco de projectos com enfoque em soluções resilientes, sendo reconhecida nacional e internacionalmente por experiências inovadoras no domínio da governação urbana e da sustentabilidade ambiental.

(Por Rafael Langa)