Uma ponte para o turismo na Inhaca

As coisas prometem melhorar a partir deste mês, afinal é para ultrapassar este tipo de barreiras que se inaugurou, recentemente, a maior ponte-cais do mundo. A infraestrutura possui cerca de 936 metros (quase um quilómetro), permitindo que barcos atraquem em águas mais profundas.

Foto: Divulgação

Inhaca é um dos pontos turísticos mais belos e importantes do país. No entanto, por anos, o seu acesso ao local que dista a apenas 32 quilómetros da cidade de Maputo, sempre foi difícil devido à falta de uma ponte-cais.

Esta situação proporcionava um desembarque precário. É que por causa da falta de profundidade junto à costa, as embarcações de maior porte não conseguiam atracar. Assim, os passageiros eram obrigados a desembarcar longe da margem e percorrer a última etapa da viagem atravessando a água a pé, muitas vezes com água pela cintura e carregando bagagens e mercadorias sobre a cabeça.

Outra desvantagem era o isolamento económico, uma vez que a situação dificultava e encarecia o escoamento de produtos locais e o transporte de bens essenciais para a ilha turística.

No entanto, as coisas prometem melhorar a partir deste mês, afinal é para ultrapassar este tipo de barreiras que se inaugurou, recentemente, a maior ponte-cais do mundo. A infra-estrutura possui cerca de 936 metros (quase um quilómetro), permitindo que barcos atraquem em águas mais profundas.

A infra-estrutura, avaliada em 13,5 milhões de dólares, está equipada com iluminação pública e foi desenhada para dinamizar o turismo e facilitar o comércio, quebrando o isolamento histórico da população da ilha de Inhaca.

Outro ponto importante é que os passageiros e veículos podem circular directamente da embarcação para terra firme com segurança e conforto, eliminando a necessidade de caminhar pela água (o que se pode ainda fazer por outras razões como lazer e espiritualidade).

Com apenas 42 quilómetros quadrados, Inhaca impõe-se pela grandeza da sua biodiversidade: mais de 12 mil espécies catalogadas, 150 corais, 300 aves e quatro espécies de tartarugas que ali encontram berço.

A sua costa, protegida como reserva integral, abriga dunas consolidadas onde a vegetação resiste ao sopro do Índico, e a vizinha Ilha dos Portugueses, outrora chamada Ilha dos Elefantes, completa o quadro de um santuário que é, ao mesmo tempo, laboratório vivo da Estação de Biologia Marítima da Universidade Eduardo Mondlane.

Inhaca também carrega memórias de encontros e trocas. No século XVI, portugueses recém-chegados firmaram ali um posto comercial, fazendo do povo tsonga mediador do comércio de marfim com os zulus. Séculos depois, em 1892, o título de Barão de Inhaca selava um capítulo da história colonial que ecoa, silencioso, nas ruínas e nas narrativas orais da ilha.

(Por MozaVibe)