Até então, mais de 300 indivíduos, oriundos de diversas partes do país, já foram beneficiados pela Campanha de Distribuição Gratuita de Próteses de Membros Inferiores, que decorre no Hospital Central de Maputo até 6 de Agosto.

A perda de um membro físico, sobretudo o inferior, limita o curso normal da vida de qualquer pessoa e afecta, assim, o seu nível de produtividade.
Dos vários motivos que levam à amputação das pernas no país, as diabetes e os acidentes de viação (traumatismo) estão no topo da lista, conforme aponta o sector de saúde. É, por isso, necessário tomar precauções, apostando em bons hábitos alimentares e no uso correcto da via pública.
Um dos maiores dilemas vividos pelas pessoas que, por vários motivos, perderam os membros inferiores, é a aquisição de próteses. Elas são caras e chegam a custar de 70 a 100 mil meticais. O seu preço acima do rendimento de muitas famílias.
Para mudar esta realidade e devolver a mobilidade a quem precisa, a Índia disponibilizou recentemente 1200 próteses de membros inferiores, no âmbito de uma iniciativa que envolve a produção e distribuição de próteses, incluindo componentes como cintura pélvica, coxa, perna e pé, em colaboração com o Hospital Central de Maputo (HCM).
Semanas depois do lançamento desta campanha, a revista “MozaVibe” visitou o Hospital Central de Maputo (HCM), especificamente o Departamento dos Serviços de Ortoprotesia, onde colheu alguns testemunhos dos beneficiados.
UM ACTO BENIGNO E HUMANO
Os pacientes não escondem a alegria de finalmente voltar a “andar”. A delegação da Índia, instalada no HCM, tem recebido muitos pacientes, que souberam da novidade por várias vias. Chegados lá, são recebidos pela equipa sanitária que faz uma pequena análise visual, tira as medidas do pé e, logo de seguida, produz a prótese que devolve esperança a quem muito precisa.
“Estava a sofrer, nem pelo menos pegar uma coisa, pelo menos cartar água para tomar banho”, conta-nos dona Leonor, de 62 anos, que perdeu o membro inferior em 2010. tudo começou com uma borbulha no pé, que não sarou e se espalhou. Diante deste cenário, a decisão médica foi de amputar o pé e assim levou a vida até então.
Leonor mostra-se satisfeita e afirma que os dias agora são mais leves.
“Estou feliz, aquilo que não conseguia fazer, vou conseguir. É o que eu queria, pelo menos varrer o quintal, o interior da casa e pegar bacia ou balde para tomar banho”, contou.
Por outro lado, encontramos Januário Arcanjo, de 40 anos. Perdeu o pé quando tinha 18 anos num acidente de mina. Volvidos mais de 20 anos, segreda-nos que a sua vida foi difícil, na forma de viver no campo, mas mostra gratidão e admiração pelo acto benigno e, acima de tudo, por não envolver nenhum valor monetário. “Vai aliviar a maneira de movimentar”, garante.
Na sala de espera dos Serviços de Ortoprotesia, embora o desejo seja o mesmo - de voltar a andar com dois pés, o espaço não limita a idade e conta histórias diferentes, cada uma com sua especificidade.
MAIS DE 300 BENEFICIADOS ATÉ AGORA

O Director dos Serviços de Ortoprotesia, no Hospital Central de Maputo, Levy Pinto, afirma que são atendidos, em média, 30 paciente por dia e que, cada um deles recebe a prótese no mesmo dia, logo após a produção pelos técnicos indianos.
Segundo ele, a humanização do processo e a esperança que paira em cada olhar é um dos motivos que tornam o processo célere.
“Voltar a andar é o sonho daqueles que perderam um membro”, disse Pinto Levy.
Considera que os beneficiários podem voltar à sua rotina normal de antes da amputação, mas o resultado ou a aceitabilidade do corpo pode não ser imediato.
“Este processo é individual, depende muito do nível de aceitabilidade de cada um. Normalmente, a prótese quando é dada ao paciente, damos uma semana e depois disto, o paciente pode voltar ao hospital, caso tenha algum problema”, comentou.
Levy garante que todos os cuidados estão a ser tomados para garantir que os pacientes tenham um atendimento humanizado. Alguns protocolos são seguidos para evitar possíveis fraudes ao longo da campanha, lembrando que este processo é gratuito e convida a todos os cidadãos, do país, a aderirem.
Até então, mais de 300 indivíduos, oriundos de diversas partes do país, já foram beneficiados pela Campanha de Distribuição Gratuita de Próteses de Membros Inferiores, que decorre no Hospital Central de Maputo até 6 de Agosto.
(Por Joana Mawai)

