... é essencial envolver professores e gestores escolares na criação de ambientes seguros e acolhedores

Eventos climáticos extremos têm afectado a estabilidade emocional de crianças e adolescentes. Fenómenos como cheias, ciclones, deslocações forçadas e perdas materiais criam um ambiente de incerteza que compromete a concentração, a motivação e o bem-estar psicológico.
Perante este cenário, a psicologia clínica surge como uma ferramenta estratégica para desenvolver respostas terapêuticas adaptadas à realidade vivida. Segundo Carolina Joel, psicóloga clínica, o primeiro passo é realizar uma avaliação psicológica rigorosa e contextualizada.
“Antes de qualquer intervenção, é essencial compreender como cada indivíduo foi emocionalmente afectado. Nem todos manifestam o sofrimento da mesma forma”, explica.
Esta avaliação permite identificar possíveis consequências, como stress prolongado, ansiedade, sintomas depressivos, medo recorrente e alterações comportamentais. Ao mesmo tempo, considera factores importantes como a idade, o contexto familiar e o ambiente em que cada pessoa está inserida.
Com base nesse diagnóstico, a intervenção terapêutica assume um papel central. Carolina Joel defende o acompanhamento psicoterapêutico, tanto individual como em grupo, como estratégias eficazes para ajudar a lidar com experiências traumáticas.
“O espaço terapêutico deve permitir que cada pessoa expresse emoções que muitas vezes não consegue verbalizar em ambientes sociais. A terapia ajuda a organizar o que foi vivido e a recuperar alguma sensação de controlo”, afirma.
Segundo a especialista, técnicas de relaxamento, estratégias de enfrentamento e exercícios de autorregulação emocional são fundamentais para reduzir a ansiedade e fortalecer a resiliência.
No contexto escolar, a psicóloga sublinha também a importância do apoio psicossocial. Para além do trabalho clínico directo, é essencial envolver professores e gestores escolares na criação de ambientes seguros e acolhedores.
“Uma escola sensível ao impacto emocional dos eventos climáticos precisa de ajustar expectativas, rotinas e métodos de avaliação. O aluno só aprende quando se sente emocionalmente protegido”, destaca.
No campo da prevenção e da psicoeducação, Carolina Joel reforça a necessidade de investir em educação emocional contínua. Ensinar os alunos a reconhecer e nomear emoções, bem como orientar famílias e professores sobre sinais de sofrimento psicológico, contribui para uma resposta mais precoce e eficaz.
“Quando professores e encarregados de educação conseguem identificar sinais de alerta, o apoio chega mais cedo e evita-se o agravamento dos problemas”, explica.
Em situações de crise aguda, a intervenção imediata torna-se determinante. O apoio psicológico após eventos traumáticos, segundo a especialista, reduz significativamente o risco de consequências a longo prazo na saúde mental dos alunos.
“A ausência de acompanhamento nos momentos críticos pode transformar um trauma pontual num problema persistente”, alerta, concluindo que “proteger a saúde mental é garantir que, mesmo perante a instabilidade do mundo exterior, exista espaço para reconstrução, aprendizagem e esperança”.
(Por Rafael Langa)

