Num contexto de rápida expansão urbana a nível global, o planeamento urbano surge como um elemento determinante para reduzir a vulnerabilidade das cidades às cheias e inundações.

Para a especialista em desenvolvimento urbano Shila Morais, a forma como as cidades crescem hoje terá impacto directo na segurança e qualidade de vida das populações no futuro.
“O planeamento urbano é a ferramenta mais poderosa que temos para transformar vulnerabilidade em oportunidade”, afirma a fonte, defendendo que antecipar o crescimento urbano é essencial para evitar riscos e garantir cidades mais resilientes.
Segundo explica, a expansão urbana acelerada tem sido acompanhada por crescimento disperso, ocupação de áreas naturalmente inundáveis e impermeabilização do solo, factores que aumentam a frequência e a gravidade das inundações. A situação é agravada pela drenagem insuficiente ou implementada de forma tardia.
De acordo com Morais, a dificuldade de acesso ao solo formal empurra muitas famílias para zonas de risco, onde a urbanização ocorre antes do planeamento e a infra-estrutura chega apenas depois da consolidação dos assentamentos. “Quando o planeamento não acompanha o crescimento das cidades, as populações mais pobres acabam por ser as mais expostas aos desastres”, alerta.
Apesar da importância da drenagem, a especialista considera que esta, por si só, não resolve o problema. “A drenagem é essencial, mas sozinha não resolve. É preciso uma abordagem integrada que inclua ordenamento do território, habitação adequada e inclusão social”, explica.
Entre as soluções, a fonte destaca a necessidade de fortalecer a coordenação institucional e a capacidade de governação urbana, com maior descentralização e gestão sustentável dos territórios, sobretudo nas áreas metropolitanas. O planeamento integrado e intersectorial, incluindo a gestão do uso da terra, a integração dos assentamentos informais e a participação das comunidades, também é apontado como fundamental.
Morais sublinha ainda a importância do acesso à terra infra-estruturais, de investimentos sectoriais e da construção de equipamentos públicos resilientes. “Se as cidades forem planeadas com antecedência, é possível evitar a ocupação de zonas de risco e proteger os corredores naturais de água”, disse.
No contexto das mudanças climáticas, a especialista defende medidas de mitigação e adaptação, bem como a protecção ambiental, como pilares para cidades mais seguras. O planeamento antecipado, a inclusão espacial e a redução da exposição das populações vulneráveis são vistos como prioridades.
Para Shila Morais, construir cidades resilientes depende de uma visão integrada, onde o planeamento urbano seja prioridade e onde o crescimento ocorra de forma organizada, inclusiva e sustentável. “Se continuarmos a reagir apenas depois dos desastres, vamos continuar a perder vidas e recursos. Precisamos de planear antes, para proteger as pessoas e criar oportunidades”, conclui.
(Por Renaldo Manhice)

