... cooperação em tempos de cheias é também uma expressão de solidariedade internacional

Todos os anos, na época chuvosa, Moçambique sofre com o impacto severo das cheias e inundações. O cenário é desolador: casas submersas, campos agrícolas destruídos, estradas cortadas e milhares de famílias deslocadas. Esta realidade desafia não apenas a capacidade de resposta interna, mas também a arquitectura da cooperação internacional.
Perante estes eventos, o país serve de exemplo de um solidariedade que não se rende aos limites geográficos. Parceiros multilaterais, bilaterais e organizações humanitárias mobilizam recursos, assistência técnica e ajuda de emergência, num acto que não se limita limita à mera entrega de bens. Envolve uma engrenagem complexa de coordenação, planeamento e reconstrução.
Entre os principais parceiros destacam-se as agências das Nações Unidas, como é o caso do Programa Mundial de Alimentos, que assegura assistência alimentar de emergência, e o UNICEF, para a infância e com intervenção nas áreas de água, saneamento, protecção infantil e educação em contextos de crise. Quem também não fica atrás é a Organização Internacional para as Migrações, que tem igualmente desempenhado um papel central na gestão de centros de acomodação temporária e apoio a deslocados internos.
No plano financeiro, o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento têm apoiado programas de reconstrução de infra-estruturas resilientes, incluindo estradas, sistemas de drenagem e pontes. Estes investimentos vão além da resposta imediata, apostando na redução do risco de desastres e na adaptação às mudanças climáticas.
Países como Portugal, África do Sul, Reino Unido, China, Índia, Brasil, Suécia, Noruega, Botswana, Zimbabwe, Ruanda e Angola canalizam ajuda diversas em alimentos, para apoio às vítimas das cheias e inundações e outras para o Orçamento do Estado ou para programas específicos de emergência e recuperação.
Organizações não governamentais internacionais complementam a resposta com kits de abrigo, assistência médica, purificadores de água e campanhas de sensibilização para prevenção de doenças como cólera e malária, alimentos de primeira necessidades, frequentemente associadas às inundações.
Para além dos números e dos relatórios financeiros, a cooperação em tempos de cheias é também uma expressão de solidariedade internacional. No entanto, o verdadeiro desafio reside em transformar cada emergência numa oportunidade de reforço institucional, planeamento urbano adequado e investimento em infraestruturas resilientes.
(Por Joana Mawai)

