No país, a erva-cidreira é encontrada em mercados informais, quintais urbanos e zonas rurais, sendo muitas vezes utilizada fora de um quadro formal de prescrição.

A erva-cidreira (Melissa officinalis) tem sido utilizada há séculos em práticas populares de saúde, particularmente no contexto de infusões com fins terapêuticos. Em Moçambique e noutras regiões com tradição de fitoterapia, o uso desta planta atravessa gerações, estando frequentemente associada ao alívio de sintomas relacionados com o stress, insónia, distúrbios digestivos e estados leves de ansiedade.
No entanto, à medida que o campo da saúde integrativa ganha terreno nas agendas sanitárias contemporâneas, a erva-cidreira começa a ser objecto de estudos que procuram aferir os seus reais benefícios com base em critérios científicos.
A planta pertence à família das lamiáceas, sendo rica em compostos como flavonoides, ácidos fenólicos e óleos essenciais entre eles, o citral, o geraniol e o citronelol cuja acção tem sido associada a efeitos calmantes e antioxidantes. Na perspectiva da saúde digestiva, a erva-cidreira tem sido indicada como coadjuvante no tratamento de dispepsias funcionais, náuseas e cólicas.
A sua acção carminativa, ou seja, promotora da eliminação de gases intestinais, é reconhecida por profissionais da medicina natural e por terapeutas especializados em fitoterapia, sendo recomendada em doses controladas e geralmente associada a outras plantas de efeito semelhante, como a camomila ou a hortelã.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), no âmbito da estratégia para medicina tradicional, tem vindo a incentivar os Estados a integrarem práticas baseadas em evidências no sistema de saúde pública. Nesse contexto, a utilização de plantas, deve ser acompanhada de protocolos de segurança, controlo de qualidade e formação adequada de técnicos e cuidadores. O risco de interacção com medicamentos convencionais também exige atenção, sobretudo em pacientes com patologias crónicas ou sob uso prolongado de ansiolíticos e sedativos.
No país, a erva-cidreira é encontrada em mercados informais, quintais urbanos e zonas rurais, sendo muitas vezes utilizada fora de um quadro formal de prescrição. A ausência de regulamentação específica para plantas medicinais coloca desafios à vigilância sanitária e à promoção do uso seguro e racional. A sua popularidade, no entanto, aponta para um potencial ainda pouco explorado de articulação entre saberes locais e políticas públicas de bem-estar.
(Por Rafael Langa)

