Para muitos, “Plasticidade” ultrapassa as fronteiras do teatro, transformando-se num chamado urgente para que cada um assuma o seu papel na construção de um futuro ambientalmente mais consciente.

Quem é mais prejudicial, o inventor do plástico ou aquele que o descarta em locais impróprios?. Esta é umas das reflexões mais marcantes de “Plasticidade”, um teatro encenado por Pyara Baloi e apresentado há dias no Centro Cultural Moçambicano-Alemão (CCMA).
Com com música ao vivo de Sussekane e Cliton Buduia, a produção transforma o palco num verdadeiro aterro, onde sacos plásticos e restos ganharam protagonismo como símbolos silenciosos de um problema global.
No elenco, Ana Fumo, Ailton Zimila e Gerson Mbalango interpretaram personagens perdidos entre memórias e desafios ambientais, convidando o público a reflectir sobre comportamentos herdados e problemas frequentemente ignorados.
Para Marta Guambe, uma das participantes que assistiu à apresentação, a força da peça está na forma como ela combina arte e consciência ambiental.
“A forma como a encenação nos colocou dentro de um aterro fez com que o problema deixasse de ser uma estatística distante e passasse a ser algo pessoal. Saio daqui com vontade de rever os meus hábitos de consumo”, afirmou.
Já o estudante Edson Mateus destacou a pertinência do debate trazido pela obra.
“Não é apenas sobre o plástico; é sobre responsabilidade colectiva. Muitas vezes culpamos a indústria, mas esquecemos que cada um de nós tem um papel a desempenhar”, disse.
O encerramento da peça, repleto de simbolismo, abriu caminho para um diálogo vivo entre artistas e espectadores, reforçando a ideia de que a mudança de hábitos é inadiável e começa nos gestos mais simples do quotidiano.
Para muitos, “Plasticidade” ultrapassa as fronteiras do teatro, transformando-se num chamado urgente para que cada um assuma o seu papel na construção de um futuro ambientalmente mais consciente.
(Por Renaldo Manhice)

