Dados recentes divulgados pelas Nações Unidas indicam que em 2024 cerca de 739 milhões de jovens e adultos continuavam sem competências básicas de leitura e escrita.

Assinala-se hoje o Dia Internacional da Alfabetização. A data foi instituída em 1967 pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para reforçar, em todo o mundo, a consciência sobre a importância da literacia como um direito humano fundamental e um alicerce para o desenvolvimento social, económico e cultural.
Neste dia, o mundo recorda a literacia como um direito universal que abre caminhos para todos. É um dia em que se olha para os números, mas sobretudo para o que eles significam na vida das pessoas. Dados recentes divulgados pelas Nações Unidas indicam que em 2024 cerca de 739 milhões de jovens e adultos continuavam sem competências básicas de leitura e escrita.
O panorama é igualmente preocupante no ensino primário: quatro em cada dez crianças não atingem os níveis mínimos de proficiência em leitura, enquanto 272 milhões de crianças e adolescentes estavam fora da escola em 2023.
Estes números revelam que, apesar dos avanços obtidos em várias regiões, o acesso universal à educação e literacia permanece um objectivo por concretizar. Cada número representa alguém que enfrenta barreiras para compreender uma receita médica, preencher um formulário ou simplesmente ler uma mensagem. Significa crianças que entram para o futuro sem a chave que permite interpretar o mundo.
Este ano, as comemorações do Dia Internacional da Alfabetização decorrem sob o lema “Promover a literacia na era digital”. Um tema que procura enquadrar os desafios colocados pela digitalização na forma como as sociedades aprendem, trabalham e comunicam.
O tema é também um convite à reflexão sobre como a literacia se transforma. Hoje, já não se limita ao papel e à caneta. Ler e escrever na era digital é também saber navegar em ambientes complexos de informação, distinguir o que é credível do que é falso, criar e comunicar em segurança. A literacia passou a ser uma ponte que liga a escola ao trabalho, o conhecimento ao exercício de cidadania e a vida local a uma realidade global.
Assinalar o Dia Internacional da Alfabetização é lembrar que cada sala de aula aberta, cada programa de alfabetização, cada livro partilhado e cada aula de leitura representam passos reais para sociedades mais conscientes. A literacia é a base de todas as aprendizagens e um elo que une gerações na construção de futuro.
(Por Rafael Langa)

